terça-feira, 21 de junho de 2016




Te crio assim
depois de você já estar pronto.

Perfeito 
- em torno não falta nenhuma parte -, 
então onde me coloco?

Não caibo
porque não sou nada do que te falta. 
E eu vou sobrar só em mim.

É absurdo que você restar em mim te torne ainda mais completo, pleno.

Talvez se eu fosse espelho ou mirante faria sentido ser eu.

Me engano, não te crio e você existe, eu só não te capturo.

Como caça que dança por entre armadilhas do meu delírio de estar seguro, você ultrapassa a margem em mim entre o outro e eu. E tudo em você é um aceno ao meu fracasso - minha experiência em não ter mais esperanças.

Mas você é simultâneo em duas fugas.

Agora quem acena sou eu, 
enquanto entre nós só você me alcança.


























Imagem: 'El arte de Gerardo Vizmanos.'

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