sábado, 14 de outubro de 2017


Nem palavra alcança o que passou da margem  do sentir e continua sendo.

As pessoas confiam em pessoas que sentem. Para pessoas são pessoas as que sentem.

Trampolim.

Então salto à margem que ninguém me considera. E por pouco fiquei lá. Mas havia esperança e voltei:  à condição de quem informe sonha em dar forma a um sonho mais agradável.

Nenhuma pessoa é. Toda pessoa é medida pela esperança do que diz querer ser frente ao possível, assim são as pessoas: esperanças.

Não... erre! Eu preciso que logo em frente você tropece, então é quando te darei a mão e seguiremos juntos. Não. Erre! Enfim, eu te alcanço em cheio quando você estiver caindo.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Talvez Buddha nunca tenha nascido ou morrido, talvez por isso Buddha é eterno.

Certa vez um amigo me perguntou:

- Shakyamuni, o fundador do Budismo nesta Era, nasceu Buddha ou se tornou Buddha?

Eu respondi:

- Nasceu, deixou de ser e tornou-se Buddha. Porque se Buddha fosse algo relacionado à qualquer significado então Buddha não seria uma causa inerente e inequívoca da própria natureza da mente. Buddha é lúcido, subjugado às condições do tempo e lugar como manifestação, mas porque não existe dependente de significados essa é essencialmente a transcendência de Buddha. É a mente lúcida apesar de qualquer significado.

Ficamos sorrindo e seguimos a estrada evitando acidentes na rodovia.

E o que Buddha diz não é satisfação ao tempo. Observe, em essência as palavras de Buddha seriam 'comedidas' e satisfatórias à qualquer época. Essa é minha religião.

terça-feira, 3 de outubro de 2017


Vou falar algo e sair correndo, porque vão me julgar inconsequente, ignorante, etc. De fato sou ignorante neste assunto e tomara que meu pensamento não gere nenhuma irresponsabilidade pessoal de cada qual para consigo mesmo.

A questão é que tenho minhas precauções com a dita Medicina Preventiva, por que enfim ela pretende nos prevenir do que? Da vida? Óbvio que em alguma parte desse conjunto que se atribui a mim algo vai mal, talvez esse microscópico eu, em algo tempo futuro, transcorrido decênios, será a causa da minha morte ou se somará a um conjunto que dê forma à uma causa proporcional e derradeira da minha morte. Eu não acredito que seja científico, na atualidade, que a ciência médica queira me prevenir da vida como um processo de morte.

- Doutor, o que me conclui é a morte, trata só do resfriado, porque tudo em mim está morrendo e eu aceito o mistério.

- Mas e a distanásia?  Interrompe o médico.

- Doutor, não vamos confundir ciência com filosofia e medo disfarçado de moral religiosa ou humanismo. Algumas células e tecidos mais avançados no progresso, mas todos correm para chegada. Não vai acreditar, Doutor, mas eu nasci para morrer.

Morreram pela eternidade, depois de muito tempo, porém com a árvore só os frutos que se mantiveram verdes. Não interrompam minha queda, uma constelação de galhos quer nascer de mim.

domingo, 1 de outubro de 2017


Percebo: então inaugurei o eu.

Emoção.
Forma.
Ação.
Ideia.

Deste feito, tudo mais são sutilezas.

O que existe acontece como:

Emoção,
forma,
ação,
e/ou
ideia.

É verdade coletiva uma expressão incontestável das quatro percepções.

O bailarino é uma verdade coletiva:
existe como emoção relatada;
existe como forma;
existe como ação;
existe como ideia.

Vejamos,
"o grande bailarino com asas que voa sobre todos os continentes":

pode existir como emoção;
não existe como forma;
não existe como ação;
pode existir como ideia.

Enfim, "o grande bailarino com asas que voa sobre todos os continentes" existe, mas não é uma verdade coletiva.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017


Veste a tua melhor ausência antes que qualquer luz te esclareça, então dorme no miolo à margem de tudo que foi dito:

Lá está você que curiosamente faz sombra sobre toda certeza desde quando nasceu, naquele início que ainda nem havia dúvida.

Acolhimento. Eu poderia pensar que estava sozinho de tão íntimos, apesar disso continuava surpreendente: descrevo o amor.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017


Minha infância... aos fundos da casa da família um enorme pé de jambo vermelho e uns cinco pés de amora. Quando chegava a época de colher a parte que as crianças não pegavam virava: suco, polpa congelada, licor, etc.

Eu lembro dos panos usados para espremer e coar as amoras. Uma quantidade enorme daquele fruto, muitas horas dedicadas à dar finalidade , ah! ..., e a cor: todas variações de roxo e vermelho nos panos como filtros.

Pegavam é um verbo aplicado à aventura, uma modalidade de furto consensual nos pomares das vizinhanças das pequenas cidades. Certa vez eu me lembro de estar eufórico em ser invasor do meu próprio quintal; ingenuidade - às vezes existe um mundo afetivo enorme em lugares pequenos.

sábado, 23 de setembro de 2017



Somos tempo
Disso queremos relato
Sobre o que somos
Em tempo adequado
Para sermos íntimos
Da história que será quantidade
De nós
Anterior aos novos olhares
Contínuos
Sobre ser
Apesar de si