segunda-feira, 7 de maio de 2018


A palavra é a primeira língua depois da audição, olfato, visão, tato e paladar. Quando se amontoam, viram frases e guardam ideias.

A palavra é o recurso mais científico à serviço do vocativo imediato... antes é mistério à lógica, ainda que esteja lá e exista.

Falar é sempre um após e esforço surgido do limite sobre a verdade, até como experiência pessoal.

Somos cebolas: por camadas crescidas e em decrescentes facadas nos desfolham o tempo em cada camada... sem nenhuma verdade, enfim.

quinta-feira, 3 de maio de 2018


A vida é tudo menos sobre si mesma, porque a vida é um buraco improvável emergido do caos.

A vida é tudo que num lance de olhar se organiza o suficiente ao próximo passo, mesmo que seja pura miragem.

A vida é o imediato julgado por um conjunto de ideias colecionadas a partir dos pontos de vistas que repetimos e nos parecem seguros, sem nunca corresponderem à totalidade do fenômeno.

A vida é um furo, um buraco por onde nos vemos à medida que nos chegam sensações pelos sentidos ou pela imaginação. Quase sempre e simultâneo por ambos.

A vida é uma obrigação de permanência na estória, uma atividade autoral compulsória e irrevogável.

A vida a uma maravilha de desgraça que recai sobre nós.

segunda-feira, 30 de abril de 2018


Atemporal é incluir a percepção de fim, antes de incluir a percepção de fim a gente morre pelo que menos importa em muitos momentos... mas olhar do mirante inteiro onde nascer, viver e morrer formam uma só linha do horizonte te faz flutuar e você sente um tipo qualquer de compaixão por tudo. E a impotência solene frente à realidade é um instante atemporal.

Se me aconteceu,
é como se fosse pra além de mim:

pra além de mim todos nos meus sentidos;
pra além de mim todas as estórias.

Ser eu é muito pouco, então quando fico extravagante é porque estou para além de mim.

Até meu maior egoísmo admite que para além de mim é quando fico grande, forte e sobrevivo ao tempo, porque só em mim nem existe e já começa com bem pouca coisa.

É dessa ponte que acolho:
teu cheiro,
teu som,
tua imagem,
e talvez: teu toque e teu gosto.
Para além de mim sou muito maior.

E se eu sobreviver um único dia após minha morte, isso só terá sido possível porque sobrevivi para além de mim.

sexta-feira, 27 de abril de 2018


Depois do que foi dito vive uma ideia, mas antes era alguma coisa inteira sem nenhuma versão que a cortasse numa só fatia. E as verdades moram tão longe das nossas hipóteses que as pessoas escolhem apresentarem algo como caleidoscópio para serem amadas até quando evocam verdades. Mas são só relações afetivas a despeito da coisa como verdade ou como um todo.

Vê esse vazio antes de qualquer hipótese? Esse é um vazio fundamental e sobre a essência intocada pela mente que elabora, ele existe antes de qualquer descrição sobre a coisa e está bem mais próximo do que a coisa pode ser. No mais e complementar a isso perceba: todo quer gozar de alguma forma. E primeiro desastre é incluir o tempo, incluir a percepção de tempo nos faz cair do paraíso.

Existem três idades:

1 - Tudo é novidade;
2 - Existem autores;
3 - Tudo é ficção e citação.

A quarta idade é: MISERICÓRDIA,
a dobra no tempo e você acorda consciente sabendo que não há saída, a não ser a "Divina Comédia": ser teatro para as divindades.

Eu sofro muito!
Eu sofro desesperadamente,
porque eu amo.

Igual pombo...

Amo em todos os lugares.

Sou rato, pombo, aranha, borboleta, barata, camarão, lagostim, formiga, insetos, et cetera... vocês que inventaram as fronteiras.

De onde enxergo eu só tenho culpa à medida que não atendo às vaidades dos particulares. Então nestes casos:

- Oh, suprema deusa inequívoca ou deus, me acolhe como um verme e conserva minha última esperança: LEALDADE.