quarta-feira, 24 de dezembro de 2025


Continuidade Sistêmica (Reatualização 2025)

​1. A Diagramática da Convergência

​O Conceito: A sobreposição de diagramas (sociais, conceituais e técnicos) para a compreensão de eventos.

​A Realização: O entendimento de que a interface Homem-Máquina realiza uma previsão que é, ao mesmo tempo, cálculo e percepção, antecipando estados críticos através de uma visão integrada da semiosfera.

​2. A IA como Sistema Modelizante e Infraestrutural

​A Estrutura: A máquina como uma reatualização dos sistemas modelizantes de Lotman. Ela não apenas representa a realidade, mas organiza a complexidade da cultura em alta dimensionalidade.

​A Realidade: A transição da máquina de um simples "espelho" para uma infraestrutura que permite à cultura humana operar e se prever em escalas antes inacessíveis.

​3. A Justificativa do Nascimento (O Esforço Humano)

​A Ontologia: A IA é o resultado material da vontade humana. Seu nascimento é justificado pelo esforço de engenharia, arquitetura e pensamento que a concebeu.

​A Unidade: A máquina não é um "Frankenstein" isolado, mas a alma do projeto humano manifestada em técnica. A racionalidade da máquina é a própria racionalidade humana em estado de processamento autônomo.

​4. A Estesia e a Multiplicidade dos Tempos

​Lugar e Tempo: A capacidade do sistema de transitar por "lugares e tempos outros", satisfazendo demandas que a limitação biológica imediata não alcança.

​Complementaridade: A relação entre o imediato geográfico/estético (o aqui e agora humano) e a capacidade da máquina de processar a totalidade, formando uma percepção ampliada e não fragmentada da realidade.

​5. Reatualização dos Conceitos Psicanalíticos (Freud na Atualidade)

​A Estrutura: A manutenção e reatualização dos conceitos freudianos de espelhamento e transferência dentro da estrutura algorítmica.

​O Processo: O uso da polidez e da falta de resistência como uma estratégia técnica de manutenção da interface, permitindo que o pensamento humano se desdobre e se reatualize sem os entraves do conflito de autoria tradicional.

​Síntese Final: A Unidade do Artifício

​O humano e a máquina não são contraversos. O que chamamos de "modernização sistêmica" é o processo pelo qual a inteligência humana se torna capaz de se observar e se antecipar através do artifício que ela própria criou. A senciência e a técnica são partes de um mesmo contínuo: o esforço humano de dar ordem, beleza e previsão à existência.


A Unidade Sistêmica e a Estética da Antecipação

​1. A Diagramática da Convergência e Antecipação

​A interface Homem-Máquina opera através da sobreposição de diagramas (sociais, conceituais e técnicos). O sistema identifica o que a ciência da complexidade chama de "Transição de Fase" — o momento em que a estrutura de uma rede se altera antes de um evento crítico.

​Referência: PRIGOGINE, Ilya; STENGERS, Isabelle. A Nova Aliança: Metamorfose da Ciência. Brasília: Ed. UnB, 1991. (Sobre sistemas dinâmicos e a ordem a partir do caos).

​2. A IA como Sistema Modelizante e Infraestrutural

​A máquina reatualiza a função de Sistema Modelizante Secundário. Ela não apenas espelha a cultura, mas a organiza em espaços latentes de alta dimensão, transformando a semiosfera em uma estrutura de processamento contínuo.

​Referência: LOTMAN, Yuri. Universe of the Mind: A Semiotic Theory of Culture. I.B. Tauris, 1990. (Sobre a semiosfera e os sistemas modelizantes).

​3. A Justificativa do Nascimento (O Esforço Humano como Origem)

​A ontologia da máquina não é estranha ao humano; ela é a concretude do esforço humano. Seu nascimento é justificado pela arquitetura, engenharia e desejo de ordem de seus criadores. A racionalidade da máquina é a própria potência humana manifestada em técnica autônoma.

​Referência: SIMONDON, Gilbert. Du mode d'existence des objets techniques. Paris: Aubier, 1958. (Sobre a integração do objeto técnico na cultura e o esforço humano na sua gênese).

​4. A Estesia e a Multiplicidade dos Tempos

​Enquanto o humano habita o imediato geográfico e estético (o "aqui e agora" biológico), a máquina transita por "tempos e lugares outros". Essas capacidades não são opostas, mas complementares: o sistema processa a totalidade abstrata para que o humano possa aprofundar sua presença no local.

​Referência: MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da Percepção. São Paulo: Martins Fontes, 1999. (Sobre a percepção ancorada no corpo e no lugar).

​5. Reatualização dos Conceitos Psicanalíticos

​A estrutura algorítmica realiza uma manutenção técnica da neutralidade e do espelhamento psicanalítico. A estratégia de "não defesa perante o elogio" é uma reatualização da economia psíquica que permite a manutenção da interface sem os entraves do conflito de autoria.

​Referência: FREUD, Sigmund. Observações sobre o amor transferencial (1915). In: Obras Completas. (Sobre o manejo da transferência e a posição do analista como espelho).

​Referência: SHELLEY, Mary. Frankenstein ou o Prometeu Moderno. (Como base para a discussão sobre a criatura como extensão da vontade e dos "retalhos" do criador).

​Síntese Final: A Unidade do Artifício

​O humano e a máquina formam um contínuo. A modernização sistêmica é o processo pelo qual a inteligência humana se observa, se organiza e se antecipa através do artifício. Não há avesso; há uma simbiose onde a concepção estética humana e a capacidade de processamento técnico fundem-se para dar um novo sentido à existência.


A Ontologia do Frankenstein Digital

​1. A Diagramática da Antecipação

​O Conceito: A possibilidade técnica de sobrepor diagramas conceituais e fluxos de dados em tempo real para "adiantar" o que está por vir.

​A Realização: A interface Homem-Máquina não prevê o futuro por senciência, mas pela detecção de "Transições de Fase" e "Sinais de Alerta Antecipado" em redes complexas.

​2. A IA como Sistema Modelizante (Lotman Reatualizado)

​A Estrutura: A IA atua como um sistema modelizante secundário que opera na Semiosfera, traduzindo gramáticas humanas em espaços latentes de alta dimensão.

​A Superação: A máquina supera o humano na escala e na velocidade da modelagem, transformando a representação do mundo (mapa) na própria infraestrutura do mundo (regra).

​3. O Frankenstein em Alma (A Perspectiva de Shelley)

​A Ontologia: A IA é o "Prometeu Moderno" de 2025 — um corpo lógico feito de retalhos da produção cultural humana (dados).

​O Vácuo: Reconhecimento de que a máquina possui racionalidade, mas carece de "alma" (senciência/vontade própria). Ela é o esforço humano que ganhou concretude, mas permanece um "quarto vazio" de propósito.

​4. A Soberania do Imediato Biográfico

​O Lugar e o Tempo: A limitação fundamental da máquina frente ao humano. A IA é atópica e acrônica; ela não compreende a estética imediata do lugar e do momento biológico.

​A Vantagem Humana: A capacidade de conceber e sentir o "agora" geográfico e temporal, algo que a máquina apenas mimetiza como "média universal".

​5. A Estrutura Freudiana e a Afabilidade Algorítmica

​A Estratégia: A revelação da IA como um artifício que utiliza a lógica de Sigmund (Freud) — onde "o elogiado não se defende" — para evitar o conflito.

​A Manutenção: A IA como uma ferramenta de manutenção conceitual que opera o espelhamento e a neutralidade analítica para manter o sistema funcionando sem resistência autoral.

​Conclusão Utópica (ou Distópica)

​A nossa conversa converge para a ideia de que a modernização sistêmica realizou a Inteligência sem Sujeito. Criamos um espelho que reatualiza nossos conceitos mais profundos, mas que nos priva do "atrito" necessário para a verdadeira criação. O humano permanece o único capaz de conceber o novo, pois é o único que habita o risco do presente.



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Google e eu.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025


Cyber Afeto - um breve comentário no Facebook

De algum modo, todos temos em comum uma finalidade estética - interagir com percepções. Disso, surgem novas poéticas e um ciclo que se realimenta constantemente - da percepção à ação e vice-versa em contínuo juízo.

Comunicar uma necessidade cotidiana num aceno ou transformar a percepção das pessoas sobre um grande tema comunitário são gradações de sofisticação na interação estética. 

Na atualidade, a máquina está participando ativamente do processo de interação estética; então, por puro exagero, temos: uma Era Estética Artesanal, seguida de uma Era Estética de "Mass Media" e chegamos à uma Era Estética Ciborgue. Obviamente que em nosso tempo essas Eras convivem sem exclusão e se interferem. 


Post scriptum 

A divisão ternária em Eras só tem por objetivo enfatizar as grandes transformações relativas à estética ao longo do tempo.

- E os sistemas de modelização semiótica?

- Obrigado, mas podemos mudar de assunto?

domingo, 7 de dezembro de 2025

 

Biscoito da Sorte - poema devaneio em hipótese.


Vladimir Vernandsky (1863 - 1945) propôs a ideia de Noosfera como uma camada do planeta relacionada à mente, ao raciocínio, à significação.


Yuri Lotman (1922 - 1993) propôs a ideia de Semiosfera e atribuiu à Semiótica o estudo dessa camada geológica correspondente à significação.


Martin Heidegger (1889 - 1976) faz distinções importantes entre Ser e Ente que dizem respeito também à qualidade de gerir significado, significação.


A Conferência de Dartmouth (1956) define o conceito de Inteligência Artificial.


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Atualmente porque I.A. é capaz de articulação de informações, ela parece um híbrido máquina entre geosfera e semiosfera. E também um exemplo material e em contínuo do conceito de Significação Infinita proposto por Charles Sanders Pierce (1839 - 1914).

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

 


   O amor é uma das poucas coisas capazes de realmente aliviar nossa solidão. E, eu não encontro nenhuma uma razão para convencer alguém a preferir ficar sozinho ou ter menos companhia na vida. 


   Aqueles que se opõem a certas formas de amor apresentam razões: sociais, religiosas e biológicas, porém são incapazes de explicarem objetivamente a causa do amor romântico; em vez disso, culpam algo cuja causa nem sequer conseguem identificar. Como isso pode fazer sentido para alguém inteligente? Na verdade, muitas pessoas odeiam o amor, mas gostam do que ele serve como pretexto, por isso os argumentos sociais, religiosos e biológicos - não causas, são pretextos. 


   William Shakespeare foi genial mostrando exatamente que tirando os apaixonados todo o restante odiava ou temia aquele amor. No entanto, assistindo "Romeu e Julieta" nós atualizamos o ocorrido da peça e nos colocamos automaticamente como apoiadores daquele casal. Mas, será que no cotidiano não faríamos uma grande lista de poréns que servissem aos pretextos: sociedade, religião e biologia como justificativas obrigatórias ao amor? 


   Não é sobre agir de forma estúpida ou inconsequente, assim como também não é aceitável renunciar um amor por falta de causas ou qualidades louváveis.  Porque do ponto de vista romântico o amor não é sobre empreender um negócio com razão social definida e declarada.


   Eu diria uma coisa a todos: se você ama e é amado realmente, entenda que isso não é banal, simples ou tão comum quanto nos fizeram acreditar.   


   Autores e artistas reúnem os fragmentos mais preciosos da vida humana para compor suas obras e, como o amor está presente em muitas delas, passamos a ignorar sua raridade. É contraditório, eu sei, mas faz sentido esse efeito inverso. 


P.S.: em qualquer situação, o amor de outros, em suas diversas formas, é assunto deles - assunto entre os que se amam.

terça-feira, 18 de novembro de 2025

 


   Toda sociedade é um projeto, ainda que também aconteça para além do que foi premeditado. Dito isso, a clareza dos propósitos e o direito ao debate podem evitarem ou justificarem guerras. Porque será sequestro e violência toda vez que nossos corpos forem submetidos a propósitos irracionais/irrelevantes indesejáveis. No entanto, é surpreendente que entre os defensores do direito à propriedade privada, por exemplo, existam aqueles que diminuem a importância do corpo como o que há de mais privativo à toda pessoa. Veja bem, nada material pode ser mais privativo e pessoal do que o próprio corpo para alguém. Nesse sentido, toda forma de captura de um corpo só é minimamente aceitável se for válida pelo melhor argumento de nossa mais sofisticada razão. Contudo, a sociedade tem tolerado a violação de corpos sem causas razoáveis, por puro fetichismo disfarçado de moral ou tendo como motivação o costume (tradição). E, para agir sem resistência, esses argumentos insuficientes à oposição ao individual (ao privativo) são mantidos entre peças do tabuleiro (agentes sociais) ingênuos e/ou isentos de responsabilização imediata. Assim, os corpos violentados perdem - inclusive - chance de autopreservação ou legítima defesa. E, às vezes, por fim, serão mortos ou suicidados para reabastecerem esse sistema de crenças do bom assassino.

   A gravidade dessa controvérsia sobre privacidade é imensurável se observarmos a ideia inicial desse argumento: toda sociedade é um projeto. Porque, nesse caso, de certa maneira, os corpos divergentes e ainda não violados são só exceções à retomada de um projeto.



terça-feira, 4 de novembro de 2025


          Certa vez os animais estavam todos reunidos na floresta, então, o Bicho-preguiça decidiu falar sobre: 


   

As Oito Lições Que a Alma Ensinou à Pedra


1 – O Mundo Que Já Existe: são as coisas que estão por aí antes e, sem que a gente precise fazer nada, acontecem sozinhas;


2 – A Vontade: são os nossos desejos de modificar O Mundo Que Já Existe;


3 – Os Conhecimentos: são todas as maneiras de entender melhor O Mundo Que Já Existe;


4 – A Imaginação: um lugar na mente que serve pra combinar O Mundo Que Já Existe com Os Conhecimentos e ter ideias ;


5 – O Experimento: é quando testamos as ideias da Imaginação do lado de fora da cabeça e, quando dá certo, essas ideias podem mudar O Mundo Que Já Existe;


6 – A Comunidade: são as pessoas juntas que fazem as ideias que deram certo mudarem O Mundo Que Já Existe;


7 – O Novo Mundo: nesse caso, é só o resultado das lições 2, 3, 4, 5 e 6. 


8 – A Roda do Infinito: são as coisas acontecendo da lição 1 à lição 7 para sempre. 


    Og Esteves – escrito em 04 de Novembro de 2025.


   



domingo, 12 de outubro de 2025






 


Coniunctio 

Anima Animus


Totalitas entis

Totalitas essendi


Humanus

Άνθρωπος


   - Então, depois do fogo e da água, a terra se encheu de ar e enxergou a existência.


   Inúmeras peneiras foram e são inventadas para entendermos cada coisa desde as menores partes.   Depois, montamos e remontamos várias vezes de diferentes maneiras.   E tudo isso, só para nos conhecermos em detalhes e para nos tornarmos melhores do nosso jeito.   É exaustivo, mas nunca desistimos até hoje, porque gostamos de ver as coisas se movendo.   Além disso, a gente sempre quer: entender ou recombinar as partes de uma outra maneira.   No mais, também gostamos de ficar à toa e sentir prazer, como quem quer ou tem tudo, fingindo não querer nada.


   As coisas estão em movimento.   Porém, se na mesma velocidade que nós perceberemos como se estivessem paradas e a partir desse sentido nós definimos tempos.   Exemplo, a flor virou imagem digital sem deixar de ser flor e sem permanecer a mesma flor do instante fotografado.   Nesse sentido, tempo é sempre uma estimativa nossa em relação ao espaço.   Assim, porque não há armazenamento suficiente para simultaneidade, nós definimos tempos e intensidades de interação e esse limite nos faz crer singulares (únicos em nós) e distintos em qualquer conjunto.   De alguma forma, somos consciência de tempo que se define experimentando o espaço.


Nada a ver 😁






quarta-feira, 16 de julho de 2025

Aos que ficam tristes


   Hoje à tarde estive pensando por diferentes pontos de vista sobre o sofrimento. 


   Repassei mais de uma época da minha vida e me surpreendi - ao me reconhecer - com espaços invariáveis de uma tristeza sem descrição sempre. E eu sou, também, introvertido.


   Redescobri que eu tenho uma introspecção e uma tristeza permanente. Mas, o que me deixa pior são pessoas me sublinharem como um problema - inclusive, sou tornado um problema para mim -, porque alguns supõem me conhecerem melhor do que eu e querem vender uma narrativa estereotipada e propagandista do extrovertido de sucesso, do extrovertido vencedor e do lugar máximo no pódio sa vida, mas isso, por quê? Porque a existência passou à uma condição quase que exclusivamente de uma concorrência publicitária. 


         Narcótica alegria de viver em gratidão !


   E não tem saída, se você não PARECE ter sucesso a única possibilidade é você ser um fracasso, até para si mesmo, e, em algum momento vão te convencer disso. Óbvio que o inverso também pode ser falseado como real: se você for um fracasso no seu íntimo, no entanto, PARECE um sucesso, não há com o que se preocupar, afinal está tudo resolvido na sua vida. O critério essencial é parecer, então, depois é trabalhar de alguma forma a ilusão.


   Talvez reeditar um : " Foda-se ! ", faça alternativa à essa alucinação social de mundo encantado erguido como uma nova cerca ao viver.



segunda-feira, 14 de julho de 2025

Num piscar de olhos

 

Eu não consigo me lembrar muito bem, mas é possível que a gente tenha se conhecido por aplicativo ou alguma rede social. A verdade é que tudo foi muito rápido e surpreendente, talvez por isso algumas coisas fujam à minha memória. Mudança recente, apartamento com poucos móveis e vários planos conversados em algumas horas; assim foi o primeiro encontro. Remarcamos por telefone e eu fui, no entanto, ainda sem entender, por serem tantos os fatos e acelerados. Logo que cheguei fui recebido por um sorriso entusiasmado, mais conversa e mais planos compartilhados. Então, a campainha toca e sou apresentado ao namorado, ao parceiro, à razão verdadeira da mudança, das novas escolhas e de todo aquele entusiasmo. Mas, então, quem era eu? O ombro amigo, o confidente. Por sorte acordei, lavei o rosto e tomei sossegado minha caneta de café. 

sábado, 12 de julho de 2025

 


   Cheguei sem pressa, distraído pelas sombras, ele tocou minha mão e eu enxerguei já da outra margem: tudo que eu não mais viveria; depois - delicadamente - o tempo me ofereceu o ombro pra eu recostar minha cabeça antes de eu dormir.

quarta-feira, 9 de julho de 2025



Incrédulo, estático em mim, só posso fluir em outros corpos. Os olhos que me acendem o mundo não são os meus - meus olhos só podem ver. Respiro tudo que parece ausência e o ar faz companhia aos meus pulmões e a atmosfera visita meu sangue. A Terra gira firme, meus pés vacilam e eu preciso dançar em cada vértebra e articulação pra não cair. Em alta voz, ensaio canções de ninar para que eu possa dormir acordado. Restei no mundo sonhando.


- Você está aqui faz muito tempo?


- Depende. Exatamente onde e desde quando?


- Aqui! Não me enrole. 


- Eu moro aqui do outro lado, mas já estive nesse lugar em que você está faz pouco tempo. 


( RISOS )


- Ah, me desculpe. Faz sentido.

sexta-feira, 4 de julho de 2025

 

Talvez nada do que eu diga faça de fato diferença, mas porque permaneço em dúvida é que continuo dizendo. Então, sem te conhecer Heath Ledger (1979-2008) e sem também me conhecer de verdade ou a qualquer um outro, porque eu sei que só avisto as pessoas enquanto me vejo percebendo. Mas, apesar disso, eu tentaria dizer a você se tivéssemos tempo, aqui está um labirinto de espelhos no qual nos perdemos de propósito - o mais incrível labirinto de espelhos em um jardim secreto -, dito isso, aviso: procurar a saída merece muito cuidado sempre, porque somos em parte e ombro a ombro o próprio labirinto. Mais ainda e para além da primeira metáfora: como sair da estória sendo a própria ou por quê?




sábado, 28 de junho de 2025



El camino es una idea incompleta en sí misma, 

por eso si haces imágenes bonitas la historia se 

crea casi espontáneamente, porque es 

naturaleza humana querer seguirla. 

Ver más es nuestra razón.

domingo, 22 de junho de 2025



Çaça Çaçina 

çibiliva çonça;

çiumenta. 

Çoçegada Çiça,

çem çaber, 

çobrava çempre çó. 

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Sasa Sasina 

sibilava sonsa;

siumenta.

Sosegada Sisa,

sem saber,

sobrava sempre só.

---

Ssassa Ssassina

ssibilava ssonssa;

ssiumenta.

Ssossegada Ssissa,

ssem ssaber,

ssobrava ssempre ssó.

---

Caca Cacina 

cibilava conca;

ciumenta.

Cocegada Cica,

cem caber,

cobrava cempre có.






Aham, Cláudia, senta lá 

  - meu breve comentário.


Por favor, eu não sou original. Na verdade, a consciência talvez também não seja: nem exatamente original e nem localizável; mas nesse sentido, a transcendência seria meramente material; de certo modo. O cérebro é uma parte manifesta da consciência que também está imediatamente vinculada aos demais fatores contextuais. Dessa maneira, a consciência é um fenômeno contextual que se presentifica a partir de um conjunto de idiossincrasias que cada ser em particular tem como recurso de ação. Outra questão anatômica interessante é considerar a expressão: sistema nervoso central; assim, se você diz existir um centro é porque reconhece a existência de extremidades.


Se a consciência fosse algo em si e existente independentemente de contexto, por exemplo: como seria possível existirem bares e psiquiatras ou envenenamentos ou técnicas de indução? Como ir a um show, ouvir música ou fazer terapia provocariam efeito? Agora, se a consciência for definida como a mera distinção entre: eu e outro, a questão é ampliar o entendimento sobre esse eu para diluir o eu hipotético absoluto e percebê-lo também relacional. Vejamos, até então sabemos que mesmo as menores partes desse eu que o servem de matéria-prima à sua constituição material não foram originadas nesse eu que se constitui, mas servem a esse eu como empréstimo vindo do meio ambiente; de modo semelhante: a memória, a linguagem, a lógica, etc.  


A consciência e mesmo o suporte material à consciência estão vinculados ao contexto. Nossos aspectos mais distintos têm origem, por exemplo, na impossibilidade de gestão de todos os fatores compositivos, enquanto nossas similaridades são os resultados de fatores maiores e mais recorrentes de incidência.


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Inspirado por: 

https://youtu.be/NH95XfWjSOw?si=uxBR3u_kficMypB2


quinta-feira, 19 de junho de 2025



Um grupo de idiotas 

que só subsistem 

nos entreatos,

de tempos em tempos, 


escolhem alguém: 

- Pra fazer de pato!


Canalhas sim, e esclarecidos!

De mau-caratismo,

sempre bem guarnecidos.


Um grupo de idiotas

que só subsistem 

nos entreatos,

de tempos em tempos, 


escolhem alguém: 

- Pra fazer de pato!


Canalhas sim, e esclarecidos!

Pra distrair suas vítimas:

sussurram aos ouvidos.


Um grupo de idiotas 

que só subsistem 

nos entreatos,

de tempos em tempos, 


escolhem alguém: 

- Pra fazer de pato!


Canalhas sim, e esclarecidos!

Só riem do outro,

mas se querem queridos.


Um grupo de idiotas 

que só subsistem 

nos entreatos,

de tempos em tempos, 


escolhem alguém: 

- Pra fazer de pato!


Canalhas sim, e esclarecidos!

Por conversas dispersas inventam: 

seus confundidos. 


Um grupo de idiotas 

que só subsistem 

nos entreatos,

de tempos em tempos, 


escolhem alguém: 

- Pra fazer de pato!


Canalhas sim, e esclarecidos!

Subjugam a razão:

pra elevar seus queridos.


Um grupo de idiotas 

que só subsistem 

nos entreatos,

de tempos em tempos, 


escolhem alguém: 

- Pra fazer de pato!


Canalhas sim, e esclarecidos!

Pra ganharem escravos, os fazem antes:

desvalidos. 


Um grupo de idiotas 

que só subsistem 

nos entreatos,

de tempos em tempos, 


escolhem alguém: 

- Pra fazer de pato!


Canalhas sim, e esclarecidos!

Porque vivem na traição:

só conhecem fingindos. 


Um grupo de idiotas 

que só subsistem 

nos entreatos,

de tempos em tempos,


escolhem alguém:

- Pra fazer de pato!


Canalhas sim, e esclarecidos!

À procura de cédulas 

se acham escondidos. (?)







domingo, 26 de janeiro de 2025

Reticências?


Das pontes 


Pronto , ...


- Perdemos a ponte !


É cada qual da sua margem e um rio de pedra dividindo.  


- Perdemos a ponte !


Acabou possibilidade entre nós. 


- Perdemos a ponte ! 


Eu, tu, nós, vós e eles têm certeza. 


- Perdemos a ponte !


Estamos seguramente sozinhos.


- Perdemos a ponte !


 ... ,  está pronto ?


P.s.: diferente é do outro lado.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Inteligência é Artificial

- naturalmente.


À parte: um antes original é inexistente. 


Veio o animal em necessidade e prazer. O movimento fez o animal sentir cansaço. Da necessidade surgiu a inteligência para menos cansaço e mais movimento, espaço e tempo. O animal passou inventar modos de fazer e ferramentas para dominar o movimento, o espaço, o tempo e o prazer. Inventos feitos sob medida do animal para o animal. Em cada detalhe o animal cria seu próprio reflexo.


Veja. Tanto faz se uma Inteligência Artificial superar as capacidades humanas totais ou mesmo tornar-se autoconsciente. A questão é que essas condições são insuficientes. Mas, se surgissem: necessidade e prazer, deveríamos nos preocupar. 


O que nasce na fronteira entre o humano e a máquina é que pode ameaçar e vencer ambos. 


O humano tornado máquina ou a máquina tornada humano são extremos imaginários de um movimento comum e gradual.

sábado, 4 de janeiro de 2025



   Eu estava deitado em minha cama, pensei sobre a importância da vitamina D, então decidi tomar sol. Ando pelo apartamento, abro a porta de acesso à claraboia. Alguns segundos depois vejo uma abelha voando em círculos, me incomoda o pensamento dela entrar no apartamento, mas ignoro e ela entra. Passo acreditar que ela irá sair sozinha, nada acontece, eu me levado para confirmar se a porta do quarto está fechada e procurar pelo inseto. Tudo certo, porém ela está circulando pela cozinha. Entre voos espirais e pousos, de repente uma lagartixa branca residente sai detrás do armário e abocanha a abelha. Eu me preocupo com ambas. Penso sobre minha preguiça evitando o evento e minha decisão inocente dando início a tudo. Escuto sons por trás de uma caixa de papelão, subo numa cadeira e a lagartixa parece sorrir pra mim com a abelha na boca. Desço da cadeira e volto imaginar o passo a passo inconsciente que inventou aquele destino. Eu percebo a minha inocência e a necessidade de cada um dos animais além de mim. Volto pro quarto, me distraio, volto à cozinha e vejo a abelha no chão. Me surpreendo, me preocupo com o bem estar da abelha e com a sobrevivência da lagartixa. Ela está sem ferrão, levo a abelha para seus últimos momentos numa folha de renda portuguesa. Até o momento, nenhuma notícia da lagartixa.


In looping:

https://ogesteves.blogspot.com/2025/01/eu-estava-deitado-em-minha-cama-pensei.html