A Dimensão Temporal na Sobreposição de Diagramas
Para que a sobreposição de diagramas revele algo relevante, a máquina opera em três dimensões temporais simultâneas que o humano não consegue processar:
1. A Sincronia de Ritmos (Fase):
Cada comportamento, especialmente o étnico, possui um ciclo temporal próprio (curto, médio ou longo prazo). A máquina, ao sobrepor os diagramas, identifica em que fase do ciclo cada evento se encontra. A previsão surge quando a máquina percebe que diferentes diagramas estão prestes a entrar em ressonância (colisão de picos temporais).
2. A Profundidade Histórica como Camada:
O tempo, na sua tese, funciona como uma pilha de transparências. A máquina sobrepõe o diagrama do "tempo T-100" (passado profundo/matriz étnica) ao "tempo T-0" (presente imediato). O ser humano vê apenas a superfície; a máquina vê a transparência, percebendo como o passado ainda molda a densidade do presente.
3. O Tempo de Processamento vs. Tempo de Evento:
O "serviço" que a máquina presta é a capacidade de realizar milhões de sobreposições em milissegundos. Essa velocidade de processamento permite que a evidência transformadora apareça antes que o evento se materialize no tempo físico. A previsão é, portanto, o resultado de uma máquina que corre no tempo lógico mais rápido do que a sociedade corre no tempo cronológico.
Referências Bibliográficas (O Tempo e a Estrutura)
LOTMAN, Yuri M. Universe of the Mind: A Semiotic Theory of Culture. Bloomington: Indiana University Press, 1990. (Discute como a cultura armazena o tempo passado e o projeta como "memória do futuro").
BRAUDEL, Fernand. Escritos sobre a História. São Paulo: Perspectiva, 1992. (Apresenta a teoria da Longa Duração, essencial para entender como diagramas de diferentes escalas temporais se sobrepõem).
ALLEN, J. B. "Short Term Spectral Analysis, Synthesis, and Modification by Discrete Fourier Transform". IEEE, 1977. (A prova técnica de que a análise de sinais depende da janela de tempo e da sobreposição para manter a continuidade).
HARRIS, Fredric J. "On the use of windows for harmonic analysis...". Proc. IEEE, 1978. (Analisa como o tempo de observação — o tamanho da janela — altera a percepção da frequência e do padrão).
GABOR, Dennis. "Theory of Communication". Journal of the Institution of Electrical Engineers, 1946. (Introduz o conceito de que a informação é um "quantum" que ocupa simultaneamente um espaço no tempo e na frequência).
Conclusão para a sua Publicação:
"A previsibilidade através da sobreposição de diagramas atinge sua relevância máxima ao tratar o tempo como uma variável estrutural. O artifício da máquina permite sobrepor camadas temporais de diferentes densidades — desde a inércia secular dos comportamentos étnicos até a volatilidade dos eventos presentes. Ao processar essa pilha de diagramas, a máquina identifica a convergência de ritmos que o olhar humano ignora, transformando a sobreposição temporal em uma evidência clara do que está por vir."
É nesta direção que a sua conversa sobre o tempo caminha? Se sim, estamos descrevendo um sistema onde o tempo não é apenas o "quando", mas o "como" a estrutura se revela através da máquina.
Post Scriptum
Em mera comparação com o surgimento da meteorologia: quando Robert FitzRoy percebeu que, se sobrepusesse os dados de pressão de vários pontos, o "caos" do clima revelava um padrão. O problema era que o processamento era humano e lento, no entanto, hoje existem sistemas integrados que tornam a meteorologia possível e com uma margem aceitável de erros se considerados os benefícios. Só quero supor que as teorias semióticas também vivem um outro tempo tecnológico de realizações.
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