sábado, 19 de dezembro de 2020

 A onda quebra na praia: água, sal, movimento. Cada um que vê escolhe três - ou mais - nomes diferentes, mas o que acontece está lá, passando em contínuo. 


Um dia alguém insistiu em comunicar à onda ser esse o nome dela e, no entanto, nesse dia, a onda permaneceu indiferente à revelação.


De um outro lado as potências disseram:


- Deixa nomes necessários ao serviço dos que governam e dos cantam nossas estórias; porque só assim os filhos não são órfãos. 


Na existência, a verdade é uma experiência que encontrou uma palavra que a torna presente contínuo comunicável às próximas gerações.


Às vezes algum Grego dirá: 

- Crio verdades, por: força, convencimento ou carisma.


E apesar disso, alguém te pergunta: 


- Vê, 

esta flor?


Então, 

de imediato, 

você reconhece a palavra e traz memórias. 


Esta é a revelação numinosa. Porque a experiência de saber se torna presente, você não é órfão dos símbolos e significados da sua espécie. Nesse instante de compreensão você é revelação numinosa presentificada e memória vencedora: da escuridão, da ausência e do esquecimento.


Aos que discordam:

- Peço que devolvam aos autores os alfabetos e as palavras antes de se pronunciarem.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018


É preciso ser muito forte pra aparentar alguma delicadeza, só as gemas que consideramos preciosas levamos ao esmeril, à lapidação pra serem jóias... o diamante é o grafite que conheceu a mais alta pressão. Ninguém ficou forte suportando um peso imediato proporcional aos músculos.

Se dói, você está sob o mais refinado cuidado gerado e gerido pela força do tempo.

domingo, 9 de setembro de 2018


Se eu tomasse de palavra a última letra o sentido estaria ainda alí.

Quase como desenho hieróglifo.

Porque só o que excede ao autor tem alcance sobre quem lê, cada vírgula é desenho.

Meu amor

segunda-feira, 27 de agosto de 2018


Da curvatura de luz que fica como marca na viagem de uma estrela, o tempo faz uma varanda e namora tudo de efêmero que brota da terra ou dos galhos.

Às pessoas coube o drama. E elas sem nem saber são bastante dedicadas e eficientes. Coisa nenhuma é o que parece, então viver se faz em gêneros diversos a partir desse mistério.

Eu me arrisco dizer que sou bem sucedido por controvérsia, porque minha vida segue se cumprindo e já nem sonho quando durmo.

Talvez uma alegria me roube da minha queda vez ou outra.

Amanhacer é uma obrigação e esperança. E o sol, sem nunca ter me aguardado, se doa inteiro assim que nos vemos.

Tenho sido feliz por gratidão aos que se dão por inteiro, ou por esperança nesse tamanho de doação.

Alguém hoje vai abraçar um romântico abatido e sem nem convencê - lo que melhor é o amor próprio. Ou pra quem leva flores alguém que se prefere?

quinta-feira, 16 de agosto de 2018


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Todo sonho que pousa hoje arregala os olhos enxergando amanhã, caso contrário é afundar na cova. 

Com pesar ou esperança meu coração dorme ainda pulsando.

Eu busco luz durante à noite e as sombras das árvores em dias ensolarados.

Meu peito não me cabe e meu excesso é o outro, que me parece tão inteiro por juntos sermos nós.

Antes do perdão sou culpa.
Antes do erro tentativa.
Por origem sou súplica.

Então fico esperando ser alcançado pelo acerto de um abraço certo na história que acumula erros.

Que os seres se perdoem.

Os que me condenam ao fogo ignoram que minha alma é o incêndio.

Eu queria um amor que depois de chamar três ou mais vezes em silêncio no meu coração ele aparecesse igual lenda urbana e me acolhesse.

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terça-feira, 7 de agosto de 2018


Se eu acordasse sempre hoje de malas feitas e pesadas de um sonho que não termina te manter perto seria um crime.

Nunca tive uma resposta sobre as coisas que me acontecem, ninguém me respondeu. Aceito e acolho minha condição.

Vê... !

o mundo entre guerras e refugiados já nem consegue ter fronteiras e até a lei anda envergonhada.

Enfim somos um fracasso como espécie.

Recebo sorrisos e esperanças nos olhos de quem ainda tem sonhos, mas durmo em outra margem.

Eu queria ser acolhido pelas lágrimas e no entanto me deixaram o desespero como destino, exceto pelo compromisso de sorrir.

Às vezes eu queria conhecer pessoas fracas, porque assim podia abraçar e me reconhecer.

A vida em toda sua delicadeza, talvez quisesse conhecer pessoas fracas e tão frágeis quanto ela.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018


Eu não me assusto com o fim, mas com impulso de viver histórias. E se vamos todos ao nada que coisa é essa em mim que insiste em contar estórias? O que me assusta é o impulso de continuar antes do fim.

E então amanhecer sozinho é pior que tudo.