domingo, 11 de outubro de 2026

 

Ao Amor Sincero e Recíproco

Aos Eternos Românticos

A ti, Agni, testemunha sagrada das alianças e fogo da transformação;

A ti, Exu, força vital da comunicação e do desejo nas encruzilhadas;

A ti, Baco, senhor do êxtase e do afeto sem grilhões;

A ti, Hermes, mensageiro das pontes e dos encontros sinceros;

A ti, Afrodite, que ouviste o sincero clamor de Safo;

A ti, Eros, ideal divinizado do amado;

A ti, Pothos, viva chama do amor e do desejo entre iguais;

A vós, Zeus e Ganimedes, Apolo e Jacinto, paixão sagrada gravada nos mitos;

A ti, Poseidon Phutalmios, patrono dos ritos e da maturação do jovem;

A ti, Kamadeva, que acendes a paixão e a devoção nos corações;

A ti, Rati, senhora do deleite e da união amorosa;

A ti, Tu’er Shen, patrono e guardião do amor romântico entre homens;

A ti, Inanna, rainha do céu, do desejo e da transgressão sagrada;

A ti, Ishtar, senhora da beleza e do querer sem amarras; perdoe a ofensa de Gilgámesh; 

A ti, Hathor, soberana da dança, da alegria e do encanto;

A ti, Oxum, senhora da doçura, do brilho das águas e do afeto verdadeiro;

A ti, Bes, guardião do carinho e da proteção do lar;

A ti, Erzulie Freda, senhora do amor radiante, da paixão e do refinamento;

A ti, Freyja, senhora do desejo, do amor livre e da paixão sagrada;

A ti, Obatala, que em tua essência amaste a alma do teu igual;

A ti, Olokun, cujo amor pelas profundezas foi abençoado na criação;

A ti, Pomba Gira, senhora que acolhes e proteges os amores incompreendidos;

A ti, Rudá, que acendes no peito a saudade e o querer do amado;

A ti, Makanikeoe, companheiro leal e devoção afetiva a Kanekoa;

A ti, Laka, senhora do afeto, do corpo e da graça em movimento;

A ti, Ungud, serpente sagrada da criação e da fluidez divina do ser;

A ti, Malyari, o Poderoso, honrado por sacerdotisas e xamãs de gênero sagrado;

A ti, Xochiquetzal, senhora das flores e da ambivalência amorosa;

A ti, Xochipilli, príncipe dos prazeres, da dança e do amor florido entre homens;

A ti, Aizen Myōō, que transmutas a paixão em amor puro e livre de posse;

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A todos os que, em qualquer tempo e em qualquer terra, com sinceridade amaram e rogaram por um amor verdadeiro e recíproco:

Que vossas vozes se entrelacem à minha e às vozes de incontáveis outros, não como um clamor de captura ou posse, mas como uma declaração de: livre, plena e sincera abertura ao amor verdadeiro e recíproco.

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Composição: Og Esteves Guedes

Data: 11 de outubro de 2026


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Glossário 

Abertura e Invocação dos Caminhos

· Agni — Índia (Védica / Hinduísmo) | Fogo sagrado, testemunha dos ritos e alianças.

· Exu — Iorubá / Afro-brasileira (Candomblé e Umbanda) | Guardião dos caminhos, comunicação e força vital do desejo.

· Baco / Dioniso — Roma / Grécia | Deus do êxtase, da libertação dos estigmas e dos afetos sem amarras.

· Hermes — Grécia | Mensageiro dos encontros, das pontes e do trânsito afetuoso.

Europa (Greco-Romana e Nórdica)

· Afrodite — Grécia | Deusa do amor, invocada na poesia homoerótica de Safo de Lesbos.

· Eros — Grécia | Força primordial do amor e da atração.

· Pothos — Grécia | Personificação do desejo, da saudade amorosa e da atração entre iguais.

· Zeus & Ganimedes — Grécia | Símbolo mítico do amor e devoção entre o divino e o jovem.

· Apolo & Jacinto — Grécia | O amor romântico e trágico entre o deus da luz e o jovem espartano.

· Poseidon (Phutalmios) — Grécia | Patrono da maturação da juventude e ritos de passagem.

· Freyja — Nórdica-germânica | Deusa do amor, da paixão, da sexualidade e da autonomia.

Ásia

· Kamadeva — Índia | Deus do amor e da atração amorosa.

· Rati — Índia | Deusa do prazer, do desejo e da união afetiva.

· Tu'er Shen — China | O "Deus Coelho", patrono e guardião das relações amorosas entre homens.

· Inanna — Mesopotâmia (Suméria) | Rainha do céu, amor, desejo e transformação de papéis de gênero.

· Ishtar — Mesopotâmia (Acádia) | Deusa da beleza, da paixão e do amor sem limites.

· Malyari — Filipinas (Tradição Sambal) | Divindade suprema cujos ritos eram intermediados por sacerdotes/xamãs de expressão de gênero diversa (Babaylan).

· Aizen Myōō — Japão (Budismo Esotérico / Shingon) | Rei da Sabedoria que transforma o desejo sensual em iluminação e amor compassivo sem apego.

África e Caribe (Diáspora)

· Hathor — Egito | Deusa da dança, da música, da beleza e do amor.

· Bes — Egito | Protetor do lar, do afeto, da alegria e do bem-estar.

· Oxum — Iorubá / Afro-brasileira | Orixá da beleza, da doçura, do amor romântico e das águas doces.

· Obatala (Odduaremu) — Iorubá / Diáspora | Orixá da criação, associado em nuances primordiais ao amor andrógino e essencial.

· Olokun — Iorubá / Diáspora | Divindade das profundezas oceânicas, cujo vínculo primordial com Obatala é abençoado.

· Erzulie Freda — Vudú Haitiano / Benim | Lwa da paixão, da elegância, do amor romântico e da beleza suprema.

Américas

· Pomba Gira — Afro-brasileira (Candomblé e Umbanda) | Entidade protetora do amor, dos desejos sinceros e dos marginalizados.

· Rudá — Tupi-Guarani (Brasil) | Deus do amor, que desperta a saudade no peito dos amantes.

· Xochiquetzal — Asteca (México) | Deusa das flores, do amor, da beleza e da fluidez amorosa.

· Xochipilli — Asteca (México) | Príncipe das flores, dos jogos, da dança e patrono dos afetos entre homens.

Oceania

· Makanikeoe — Havaí (Polinésia) | Espírito do desejo e leal companheiro mítico de Kanekoa (aikāne).

· Laka — Havaí / Polinésia | Deusa da dança hula, da beleza e da energia amorosa da natureza.

· Ungud — Austrália (Tradição Wunambal) | Serpente Arco-Íris andrógina associada à criação e à fluidez primordial da vida.



Referências Bibliográficas

1. Calame, Claude. (1997). Choruses of Young Women in Ancient Greece: Their Morphology, Religious Role, and Social Functions. Rowman & Littlefield.

2. Conner, Randy P.; Sparks, David Hatfield; Sparks, Mariya. (1997). Cassell's Encyclopedia of Queer Myth, Symbol, and Spirit. Cassell.

3. Conner, Randy P.; Sparks, David Hatfield. (2004). Queering Creole Spiritual Traditions: Lesbian, Gay, Bisexual, and Transgender Transgressions in Afro-Indo-European Religions. Routledge.

4. Dover, K. J. (1978). Greek Homosexuality. Harvard University Press.

5. Matory, J. Lorand. (2005). Black Atlantic Religion: Tradition, Transnationalism, and Matriarchy in the Afro-Brazilian Candomblé. Princeton University Press.

6. Sergent, Bernard. (1984). L'homosexualité dans la mythologie grecque. Payot.

7. Szonyi, Michael. (1998). "The Cult of Hu Tianbao and the Cult of the Rabbit God: Same-Sex Love in Fujian". Journal of the History of Sexuality, 8(3), 383–408.




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