Só no piscar de olhos
eletrons desatentos
saltam camadas, enquanto sonham.
Parados, são partes de átomos,
se fazem: concretos e tangíveis.
O que antes existia em possibilidade indescritível só se define a partir do contexto.
O que define elétron é o oposto complementar ao que define o salto eletrônico.
- Está bem, mas pare com isso. É estranho, estranho !
- A coisa que salta, o intervalo e a coisa que chega são continuamente a mesma coisa?
- Então é isso, todo esse estardalhaço por que perdemos de vista um elétron ?
- Você é um tolo sofista fazendo jogo de palavras, exemplo: se a inexistência foi definida em contraponto à existência, então, teríamos que supor, que: ao final de toda existência também a inexistência terminaria, por ausência de contraponto negativo. Mas a verdade é sobre uma relação autopoética com a vida e com a morte: chegamos inocentes de um lado, tomamos gradualmente consciência que vamos sair por um único outro lado... entremeados por necessidade, distração e esperança, criamos estratégias sobre essas constantes: vida e morte.
- Aquilo do ponto e contraponto, asserção e negação, você deve ter lido Greimas; relação autopoética, você está citando Lacan descaradamente. Cala-se bastardo de Tike e Nike, sem sorte e desejo de vitória, não existem as Graças ou Mnemosine. Todos sabem que homens morrem, mas Gilgámesh há 21 séculos nos ensina que as cidades podem ser eternas... sem Tike, sem Mnemosine, sem Nike perderemos o ressurgir da Aurora, a eternidade só é possível porque os Éon se sucedem !
- Eu avisei para trocar o adoçante... tudo bem, nossas ideias se conflitam, mas não se excluem: ambos podemos estar certos, errados ou em alternância gradual de correção.
- Foda-se... TomaNoCentroDoTeuCuPorra ! Você torna a conciliação um gesto egoísta e faz prevalecer a sua visão como Prova dos Nove, você diz que o mundo é assim e basta, impõe a repetição do que você acredita e encerra como quem quer conciliar, mas matou a continuação, a inventividade, o sonho...
- Eu não sei mais o que dizer... acho que você deixou de me amar. Enfim, apesar disso, faz sentido manter a inventividade, criar novos Éons... mas isso tem um pouco de "autopoética", não acha? Uma parte de nós é sonho, outra é delírio, e, entre tantas outras, nos procuramos: inventos e inventores, em meio à continuidade e à esperança. Descansa sem preguiça, trabalha sem servilismo.
- A gente se ama ?
- Talvez, mas ainda indispensáveis.
TO BE CONTINUED...