terça-feira, 13 de outubro de 2026

Um Jardim de Delícias



Difícil demais estar desperto.

   Minha continua gratidão à possibilidade de sonhar ao dormir; a natureza ajeita tudo... às vezes tenho sonhos tão paradisíacos que me decepciono ao acordar. Além disso, é verdade que ao ter consciência que estou sonhando, eu me delicio com tudo que me satisfaz sem nenhum receio de consequências; enfim, o sonho é inteiramente meu, então, tem que ser bom. Mas, sinceramente eu não sou malévolo ou egoísta, meu sonho também tem como característica o consenso em satisfação entre as outras meras aparências de mim para mim; exceto quando preciso me livrar de um pesadelo e tenho consciência plena de tratar-se de um sonho, nessas ocasiões, eu tento tornar-me o monstro para monstro, caso eu não consiga dissuadi-lo de atormentar-me e porque ele é uma mera projeção da minha mente sonhando, eu posso: desfazê-lo sem pesar.

   Atualmente eu cheguei à conclusão que, em parte, a causa do meu entristecimento e minha irritação é ter dificuldade para dormir e, também, acordar dos sonhos infinitamente melhores que minha vida desperto.   O que me consola é pensar que tenho um trabalho que preserva minha liberdade descomprometida com sectarismos ideológicos sociais, irracionais e inadequados à minha satisfação plena - porém, me mantendo em harmonia com a ordem pública -, o trabalho me garante algum espaço para ter esperanças de melhorar a vida desperto e também ter alguns momentos de satisfação ao sonhar.

   Tenho receio que em algum tempo a sociedade possa se tornar inabitável para seres humanos existirem em potencial e prazer, e, caso essa possibilidade ocorra, qualquer: delírio, alienação ou simulação virtual será melhor escolha em comparação à vida desperto.

   Minha hipótese escatológica mais agradável é supor que após a vida, eu existirei como algo semelhante a um sonho e plenamente consciente, para saborear todas as delícias que eu quiser com liberdade.  Óbvio, que essa hipótese não excluí ser um sonho compartilhado com outros sonhadores, exceto com os que inconvenientes.

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