sexta-feira, 24 de julho de 2026

 


Só no piscar de olhos

eletrons desatentos

saltam camadas, enquanto sonham.

Parados, são partes de átomos,

se fazem: concretos e tangíveis.

   O que antes existia em possibilidade indescritível só se define a partir do contexto. 

   O que define elétron é o oposto complementar ao que define o salto eletrônico.


- Está bem, mas pare com isso.  É estranho, estranho !

- A coisa que salta, o intervalo e a coisa que chega são continuamente a mesma coisa?

- Então é isso, todo esse estardalhaço por que perdemos de vista um elétron ? 


- Você é um tolo sofista fazendo jogo de palavras, exemplo: se a inexistência foi definida em contraponto à existência, então, teríamos que supor, que: ao final de toda existência também a inexistência terminaria, por ausência de contraponto negativo.  Mas a verdade é sobre uma relação autopoética com a vida e com a morte: chegamos inocentes de um lado, tomamos gradualmente consciência que vamos sair por um único outro lado... entremeados por necessidade, distração e esperança, criamos estratégias sobre essas constantes: vida e morte.


- Aquilo do ponto e contraponto, asserção e negação, você deve ter lido Greimas; relação autopoética, você está citando Lacan descaradamente.  Cala-se bastardo de Tike e Nike, sem sorte e desejo de vitória, não existem as Graças ou Mnemosine. Todos sabem que homens morrem, mas Gilgámesh há 21 séculos nos ensina que as cidades podem ser eternas... sem Tike, sem Mnemosine, sem Nike perderemos o ressurgir da Aurora, a eternidade só é possível porque os Éon se sucedem !


- Eu avisei para trocar o adoçante...  tudo bem, nossas ideias se conflitam, mas não se excluem: ambos podemos estar certos, errados ou em alternância gradual de correção.


- Foda-se... TomaNoCentroDoTeuCuPorra !  Você torna a conciliação um gesto egoísta e faz prevalecer a sua visão como Prova dos Nove, você diz que o mundo é assim e basta, impõe a repetição do que você acredita e encerra como quem quer conciliar, mas matou a continuação, a inventividade, o sonho...


- Eu não sei mais o que dizer... acho que você deixou de me amar.   Enfim, apesar disso, faz sentido manter a inventividade, criar novos Éons... mas isso tem um pouco de "autopoética", não acha? Uma parte de nós é sonho, outra é delírio, e, entre tantas outras, nos procuramos: inventos e inventores, em meio à continuidade e à esperança. Descansa sem preguiça, trabalha sem servilismo. 


- A gente se ama ?

- Talvez, mas ainda indispensáveis.


TO BE CONTINUED...


domingo, 26 de abril de 2026

 


Toda informação era atualizada em diagramas sobrepostos e comprimida entre duas grandes categorias: tempo e espaço.  Dessa enciclopédia surgiam cristais do atrito entre os diagramas e esses cristais podiam ser contemplados, no mínimo, por três pontos de vista: entre si eram ícones, se expressavam como índices e por recorrência se tornavam símbolos.  Então, a partir disso, em crescente fractal gigante, a engenhosidade dava continuidade ao seu destino. 

segunda-feira, 2 de março de 2026

O Talvez já era Quântica


"música ouvida tão a fundo/que nem mais se escuta; afinal, você é a música/enquanto dura a música" The Dry Salvages, (Four Quartets) de T.S. Eliot. 


Esse curto trecho descreve: a loucura, o amor e o êxtase. Nessa metáfora a causa e o efeito são indissociáveis: é quando o experimento dispensa a lógica binária e linear, algo semelhante ao que a matemática propõe sobre sistemas complexos na Teoria do Caos, no entanto, como experiência afetiva e imediata. 


Talvez James Hillman concordasse comigo nessa simplificação, talvez Carl Gustav Jung percebesse uma descrição sobre "Sincronicidade" e talvez Wolfgang Pauli algo sobre "A lição de Piano". E, quem sabe, Jorge Luis Borges visse uma "Nova refutação ao tempo" em um "Labirinto dos Caminhos que Se Bifurcam". 

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Crônica

 

Eu perdi a crença que a escrita transforme para mais do que o mundo tem sido.*  Entretanto, apesar disso, eu continuo alguém que lê como quem decifra um mapa sobre existir e, talvez, na esperança de encontrar uma ilha sossegada - ainda não descoberta -, um lugar para almas demasiadamente humanas.   Confusão entre escrever e cartografia.   Veja que coisa idiota é a vida: a gente nasce e descreve uma trajetória.


   * Apesar de eu ser um semioticista.


Porque eu sou um semioticista, preciso me perguntar sobre a inovação depois de escassez de sobreposições por máquina de todas as estruturas de linguagens já conhecidas. 


Eu quero que a máquina: Inteligência Artificial, seja semelhante à prensa de Gutenberg e traga revelação e dê novo desafio intelectual à humanidade. Porque expõe a estrutura do idioma como forma de domínio de classe em repertórios vazios...


Toda robótica é uma continuidade daquilo que existe em nós humanos. Não pode ser um ser criado indesejável; não tem sentido. 


 - Teremos nossos primeiros bebês ciborgues? Que sejam bem-vindos!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026




Existem grandes discussões sobre obviedades. 
Mas, e, apesar disso, as demonstrações de inteligência como espécie são depois e na reavaliação das estratégias.

Existen grandes debates sobre hechos obvios. Pero, a pesar de ello, las demostraciones de inteligencia como especie llegan más tarde, en la reevaluación de las estrategias.

Usamos nuestra inteligencia para recrear nuestro mundo. Los humanos inventan.

Amamos a los animales, 
pero somos inteligencia viva.

La voluntad y la capacidad de invención hacen que nuestra especie sea diferente de todas las demás.

Humanos: criam e recriam significados e culturas, nenhum outro ser vivo faz isso.

To be human is to invent.
Ser humano es inventar.
Ser Humano é Inventar.

domingo, 25 de janeiro de 2026

 


Admiro mucho eso


Pocas personas tienen tanta valentía en el sufrimiento, y aún menos permanecen ilesas y auténticas en el sufrimiento porque aman. 


En Brasil, por ejemplo, Clarice Lispector –una escritora– también poseía esa dign5idad humana que se restituye a través del arte. 


Y aquí no hablo de géneros, sino de ser humano y reconciliarse en la frontera entre uno mismo y el otro, con el arte como puente. 


Amores transformados en obras de arte para encajar en la vida.


El amor tiene que existir porque es parte de la humanidad ancestral, por eso el amor dice: - Si no puedo ser así, encontraré otro camino. Pero yo existiré.


Artistas, deportistas, personalidades religiosas, políticos, científicos, etc. Todos los seres humanos, sin excepción, quieren construir puentes entre ellos mismos y los demás.


Solo hablamos de la arquitectura y la ingeniería del puente. Hablamos de nuestras preferencias para no sentirnos solos. Incluso antes de que el puente esté terminado.


El coraje consiste en contradecir las normas de nuestro propio tiempo y reinventar caminos. Nadie puede objetar si conoce cada tiempo y lugar y caminos para cambiar.


Antes de la inmortalidad, todos caminan hacia la tumba.  Vivir también es verdad, a pesar de toda la hipocresía a la que nos sometemos para existir.


Cada uno de nosotros se enfrenta al reto de conciliar cuestiones personales y sociales. El heroísmo suele ser el resultado de transformaciones culturales abruptas y profundas. Pero somos seres pensantes, capaces de encontrar caminos inteligentes hacia el éxito.


Si alguna tradición fuera correcta, nunca habría habido progreso. Si bastara con romper con toda tradición, no habría fracaso.


Entre la razón, el amor y el instinto, necesitamos ser inventivos y esforzarnos siempre por ser mejores. Porque soñamos con construir el puente.


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Abaixo imagem de inspiração: Frida Kahlo.





segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

 A relação entre a literatura de Jorge Luis Borges e a semiótica de Yuri Lotman.


1. O Tempo como Labirinto vs. A Semiosfera

Em "O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam", Borges apresenta o tempo como uma rede infinita de possibilidades coexistentes.

 * A Conexão: Lotman descreve a Semiosfera como um espaço onde múltiplos tempos e textos coexistem simultaneamente. Para Lotman, um texto do passado não está "atrás" de nós, mas habita a semiosfera "ao lado" do presente. Assim como no labirinto de Borges, na cultura, o passado pode ser reativado a qualquer momento, criando uma "bifurcação" de sentido.

2. A "Explosão" e a Bifurcação

Um dos conceitos mais famosos de Lotman é o de Explosão (Vzryv).

 * O Conceito: A explosão é um momento de imprevisibilidade total onde o tempo linear é interrompido e o futuro se abre em várias direções possíveis.

 * Relação com Borges: O conto de Borges é a ilustração literária perfeita da "explosão" de Lotman. Cada escolha de um personagem é um ponto de explosão onde, em vez de um único caminho ser seguido (como na história tradicional), todos os caminhos se realizam. A literatura de Borges funciona como o laboratório onde Lotman observa o tempo em estado de ruptura.

3. A Negação do Tempo e a Memória Cultural

Em "Nova Refutação do Tempo", Borges tenta provar que, se dois momentos são idênticos, eles são o mesmo momento.

 * O Conceito de Lotman: Lotman argumenta que a cultura possui uma Memória que não é um depósito de arquivos, mas um mecanismo regenerativo. Se um rito antigo é praticado hoje, para a semiótica da cultura, o tempo linear é anulado em favor de um tempo sincrônico.

 * A Síntese: Ambos concordam que o "agora" é uma construção. Para Borges, o tempo é um rio que nos consome; para Lotman, o tempo é a correnteza de textos que nos define.


Informação Bibliográfica

Referência:

HENN, Ronaldo. A Semiodiversidade diante da Irreversibilidade do Tempo. São Leopoldo: Unisinos, 2011. (Este artigo estabelece nexos diretos entre o conto de Borges e as formulações de Lotman sobre a complexidade do tempo).

MACHADO, Irene (Org.). Semiótica da Cultura e Semiosfera. São Paulo: Annablume, 2007.


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Na metáfora da Biblioteca de Babel, a existência de todos os livros possíveis é um dado estatístico inútil para a previsão, pois o ruído é infinito. O que gera sentido — e, portanto, capacidade preditiva — não é a obra em si, mas a sua ativação pela cultura.


1. Do Estoque ao Fluxo (Borges encontra os Dados)

Na Biblioteca de Babel, todos os livros já existem, inclusive os que narram o futuro. Porém, eles são inacessíveis pelo excesso.

 * A Previsão no Estoque (Inviável): Tentar prever o futuro lendo todos os livros é impossível, pois para cada verdade há bilhões de mentiras convincentes.

 * A Previsão no Fluxo (Viável): Se medirmos quais corredores os bibliotecários estão percorrendo e quais volumes estão sendo abertos simultaneamente, começamos a ver um padrão de busca. O futuro não é previsto pelo que está escrito, mas pela intenção de quem busca.

2. O Conceito de "Texto Vivo" em Lotman

Para Lotman, um livro na estante é um "texto morto" ou um canal de comunicação em repouso. Ele só se torna um fenômeno cultural quando entra em contato com um leitor.

 * A Métrica da Relevância: O fluxo de consultas (acessos) revela o que Lotman chama de núcleo da semiosfera. O que é muito acessado torna-se o modelo de mundo de uma época.

 * Previsão via Semiosfera: Ao monitorar o fluxo de acessos, você não está medindo apenas curiosidade; você está medindo a formação de novas linguagens. Se um grupo de livros sobre um tema específico começa a ser consultado de forma explosiva, a cultura está prestes a sofrer uma "Explosão" (mudança de paradigma).


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Da Estática à Dinâmica: A Releitura da Biblioteca

Enquanto a Biblioteca Estática de Borges foca no conteúdo total, partindo do pressuposto de que o infinito contém todas as verdades, a perspectiva do fluxo proposta por Lotman desloca o interesse para o comportamento do usuário. Nessa visão, o valor de um livro não reside no fato de ele "estar" na estante (onde a verdade permanece oculta em um mar de ruído), mas no fato de ele ser validado pela cultura através do ato da consulta.

Essa mudança de foco transforma o conceito de previsão. Na biblioteca meramente material ou combinatória, a previsão é impossível, pois o caos das possibilidades anula qualquer certeza. No entanto, quando passamos a medir o acesso, a previsão torna-se viável. Isso ocorre porque o sentido deixa de ser uma busca por uma agulha no palheiro e passa a ser a análise de tendências: o rastro deixado pelos usuários ao consultarem certas obras revela a arquitetura do sentido no "agora".

Assim, o bibliotecário deixa de ser uma vítima do labirinto para tornar-se um arquiteto do sentido. O que gera conhecimento preditivo não é o volume de dados acumulados (o número de livros sobre um tema), mas a intensidade e o percurso do fluxo de quem os acessa.


Informação Bibliográfica

Referência:

HENN, Ronaldo. Interação e sentido na semiosfera. São Leopoldo: Ed. Unisinos, 2011.

CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede. São Paulo: Paz e Terra, 1999. (Obra fundamental para entender como o fluxo de informação substitui a lógica dos estoques materiais).


> Conclusão: O "destino" na Biblioteca de Babel não está escrito nas páginas amareladas, mas desenhado no rastro de luz deixado pelas lanternas dos bibliotecários/leitores que buscam as mesmas respostas ao mesmo tempo.


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Informação Bibliográfica

Referência:

SANTAELLA, Lucia. Navegar no ciberespaço: o perfil cognitivo do leitor imersivo. São Paulo: Paulus, 2004. (Obra que discute como o ato de navegar e acessar — o fluxo — redefine a leitura e a produção de sentido em ambientes saturados de informação).

ECO, Umberto. Da Árvore ao Labirinto: estudos sobre história da estética e da linguagem. Rio de Janeiro: Record, 2013.


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Post Scriptum 

Em mera comparação com o surgimento da meteorologia: quando Robert FitzRoy percebeu que, se sobrepusesse os dados de pressão de vários pontos, o "caos" do clima revelava um padrão. O problema era que o processamento era humano e lento, no entanto, hoje existem sistemas integrados que tornam a meteorologia possível e com uma margem aceitável de erros se considerados os benefícios. Só quero supor que as teorias semióticas também vivem um outro tempo tecnológico de realizações.