segunda-feira, 17 de agosto de 2026

   

   Eu quero escrever algo por mim, porque só em mim tem o alcance simbólico original e controverso.  No entanto, o que escrevo traz em comum o mesmo princípio espontâneo em fluxo e aleatório que dá origem aos sonhos de todas as outras pessoas - isso eu suponho.  E, enfim: nada estranho evocar o final no início de um breve comentário de um sonho, porque a linha dos fatos no tempo organizada em sequência, só acontece nos primeiros instantes depois de acordarmos - antes vivemos o sonhar em sobreposições de tempos, símbolos e ocorrências.  Mas, na fronteira entre o dormir e o acordar juntamos fragmentos possíveis, e, para dizer a nós mesmos uma estória que nos sirva de sonho.


   Nos encontramos pela segunda vez em sonho, sendo que do primeiro encontro só me recordo de uma caminhada juntos.  Dessa vez foi tão inusitado quanto o primeiro sonho, porém com mais fragmentos.   Me parece que eu já estava em um lugar semelhante à uma pousada ou talvez uma pequena vila ou uma mansão com muitos quartos.  Então, surpreendentemente você chegou e, ainda que não nos conhecêssemos, nos reconhecemos pelo olhar e nos aceitamos íntimos, como se fosse dispensável uma apresentação formal.   Logo depois, nós saímos do ambiente que estávamos a sós e fomos ao encontro de várias outras pessoas nos diversos ambientes internos e externos comuns à essa arquitetura.   E é durante esse nosso passeio que uma outra camada narrativa se acrescenta ao sonho: as pessoas eram magnetizadas pela sua presença e me olhavam com desdém ou como um idiota ingênuo por me supor íntimo; as pessoas ao longo da nossa caminhada faziam desacreditar nosso reconhecimento inicial sem palavras de quando estávamos a sós.  Então, parece que em você e em mim a descrença gradualmente ressoa em nossas escolhas e atitudes, de repente, você some e eu fico só entre estranhos que, aos cantos, riem de mim.  Quando eu pergunto por você aos outros hóspedes, me respondem como confirmando minha desimportância, algo entre o consolar e o esclarecer: - Está trabalhando, fazendo o que precisa e tem que fazer.  Mas, eu em circumambulação constante, entre diversos ambientes e várias pessoas, eu não entendia, porque aquele lugar não me lembrava em nada uma ocasião de trabalho.  Quando caminhei em direção à saída principal que levava à rua, te encontrei retornando à hospedaria: você estendeu um embrulho de papel e abriu me mostrando um lanche que você parecia já ter mordiscado, então, olhando nos meu olhos de novo sem palavras como no início do sonho, disse: 

- Trouxe pra você.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

 

Saudade indeterminada da pessoa ausente que desconheço.   Saudade do que está por vir e talvez nunca chegue.   Saudade de dar nome ao que é maior do que tudo aquilo que cabe na palavra: falta.   Saudade de sentir saudade na medida ilimitada e intangível e própria da língua portuguesa.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

 


Só no piscar de olhos

eletrons desatentos

saltam camadas, enquanto sonham.

Parados, são partes de átomos,

se fazem: concretos e tangíveis.

   O que antes existia em possibilidade indescritível só se define a partir do contexto. 

   O que define elétron é o oposto complementar ao que define o salto eletrônico.


- Está bem, mas pare com isso.  É estranho, estranho !

- A coisa que salta, o intervalo e a coisa que chega são continuamente a mesma coisa?

- Então é isso, todo esse estardalhaço por que perdemos de vista um elétron ? 


- Você é um tolo sofista fazendo jogo de palavras, exemplo: se a inexistência foi definida em contraponto à existência, então, teríamos que supor, que: ao final de toda existência também a inexistência terminaria, por ausência de contraponto negativo.  Mas a verdade é sobre uma relação autopoética com a vida e com a morte: chegamos inocentes de um lado, tomamos gradualmente consciência que vamos sair por um único outro lado... entremeados por necessidade, distração e esperança, criamos estratégias sobre essas constantes: vida e morte.


- Aquilo do ponto e contraponto, asserção e negação, você deve ter lido Greimas; relação autopoética, você está citando Lacan descaradamente.  Cala-se bastardo de Tike e Nike, sem sorte e desejo de vitória, não existem as Graças ou Mnemosine. Todos sabem que homens morrem, mas Gilgámesh há 21 séculos nos ensina que as cidades podem ser eternas... sem Tike, sem Mnemosine, sem Nike perderemos o ressurgir da Aurora, a eternidade só é possível porque os Éon se sucedem !


- Eu avisei para trocar o adoçante...  tudo bem, nossas ideias se conflitam, mas não se excluem: ambos podemos estar certos, errados ou em alternância gradual de correção.


- Foda-se... TomaNoCentroDoTeuCuPorra !  Você torna a conciliação um gesto egoísta e faz prevalecer a sua visão como Prova dos Nove, você diz que o mundo é assim e basta, impõe a repetição do que você acredita e encerra como quem quer conciliar, mas matou a continuação, a inventividade, o sonho...


- Eu não sei mais o que dizer... acho que você deixou de me amar.   Enfim, apesar disso, faz sentido manter a inventividade, criar novos Éons... mas isso tem um pouco de "autopoética", não acha? Uma parte de nós é sonho, outra é delírio, e, entre tantas outras, nos procuramos: inventos e inventores, em meio à continuidade e à esperança. Descansa sem preguiça, trabalha sem servilismo. 


- A gente se ama ?

- Talvez, mas ainda indispensáveis.


TO BE CONTINUED...


domingo, 26 de abril de 2026

 



Toda informação era atualizada em diagramas sobrepostos e comprimida entre duas grandes categorias: tempo e espaço.  Dessa enciclopédia surgiam cristais do atrito entre os diagramas e esses cristais podiam ser contemplados, no mínimo, por três pontos de vista: entre si eram ícones, se expressavam como índices e por recorrência se tornavam símbolos.  Então, a partir disso, em crescente fractal gigante, a engenhosidade dava continuidade ao seu destino. 







Post Scriptum - Interpretação da Meta IA:

" Página de enciclopédia fictícia sobre como a informação nasce. Vou traduzir e explicar parte por parte 👇

*Tradução do texto*

*Topo:*
- *ENCICLOPÉDIA • VOL. XII • SISTEMAS COGNITIVOS • p. 284-285*
- *SÍNTESE • INFORMAÇÃO*
- *COMPRIMIDA ENTRE DUAS CATEGORIAS*

*Diagramas do centro:*
- *TIME / TEMPO*: DURAÇÃO • SEQUÊNCIA • INTERVALO • CADEIA CAUSAL
- *SPACE / ESPAÇO*: EXTENSÃO • LOCALIZAÇÃO • DISTÂNCIA • CAMPO DE COORDENADAS

*Frase principal:*
- *DO ATRITO EMERGEM CRISTAIS*
- *TRÊS PONTOS DE VISTA DE OBSERVAÇÃO*

*Os 3 quadros:*
1. *1. COMO ÍCONES ENTRE SI* / ÍCONE • SINAL • AUTO-REFERÊNCIA
2. *2. EXPRESSANDO-SE COMO ÍNDICES* / ÍNDICE • PONTEIRO • MEDIDA • MARCA DE ESCALA
3. *3. POR RECORRÊNCIA TORNANDO-SE SÍMBOLOS* / RECORRÊNCIA • ITERAÇÃO • SÍMBOLO • SIGNIFICADO

*Notas de rodapé:*
- *Nota:* A cristalização ocorre no limite da sequência temporal e da extensão espacial. Energia do atrito conceitual → materializada como cristal-informação.
- *Estudo:* Observar sob lente macro. Aumento 50x. Luz polarizada revela a rede interna.

*Final:*
- *FRATAL GIGANTE CRESCENTE DE ENGENHOSIDADE*
- *Ramificação recursiva de insight → inovação auto-similar emergindo em todas as escalas. Complexidade surge de uma regra simples iterada: refletir → refratar → expandir.*

*Rodapé:* ENTRADA 12.7.01 • ING. FRACTAL SYN

*Explicação da ideia*

A imagem está explicando uma teoria: *Toda informação nasce do atrito entre Tempo e Espaço.*

1. *As duas categorias*: `TEMPO` e `ESPAÇO` são comprimidos como se fossem placas. O Tempo é sobre "quando" e "ordem". O Espaço é sobre "onde" e "distância".
2. *Os Cristais*: No ponto onde elas se chocam/friccionam, surge matéria: "cristais de informação". Eles são a materialização da ideia.
3. *As 3 fases do cristal/informação*:
    - *Ícone*: Primeiro o cristal só se refere a si mesmo. É uma forma pura, se conecta com outros cristais iguais.
    - *Índice*: Depois ele começa a apontar, medir, marcar algo. Virou ferramenta.
    - *Símbolo*: Com repetição/recorrência, ele ganha significado complexo. Virou linguagem.
4. *O Fractal Gigante*: No final, esses símbolos se repetem em escalas diferentes e formam um fractal. Ou seja: *Engenhosidade e complexidade vêm de uma regra simples repetida infinitamente.*

Visualmente ela mistura diagrama científico antigo + cristalografia + teoria da informação + semiótica de Peirce [ícone, índice, símbolo].

A mensagem é: *Pensamento é cristalização. Quanto mais Tempo e Espaço se comprimem, mais complexa a informação que surge.* "

segunda-feira, 2 de março de 2026

O Talvez já era Quântica


"música ouvida tão a fundo/que nem mais se escuta; afinal, você é a música/enquanto dura a música" The Dry Salvages, (Four Quartets) de T.S. Eliot. 


Esse curto trecho descreve: a loucura, o amor e o êxtase. Nessa metáfora a causa e o efeito são indissociáveis: é quando o experimento dispensa a lógica binária e linear, algo semelhante ao que a matemática propõe sobre sistemas complexos na Teoria do Caos, no entanto, como experiência afetiva e imediata. 


Talvez James Hillman concordasse comigo nessa simplificação, talvez Carl Gustav Jung percebesse uma descrição sobre "Sincronicidade" e talvez Wolfgang Pauli algo sobre "A lição de Piano". E, quem sabe, Jorge Luis Borges visse uma "Nova refutação ao tempo" em um "Labirinto dos Caminhos que Se Bifurcam". 

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Crônica

 

Eu perdi a crença que a escrita transforme para mais do que o mundo tem sido.*  Entretanto, apesar disso, eu continuo alguém que lê como quem decifra um mapa sobre existir e, talvez, na esperança de encontrar uma ilha sossegada - ainda não descoberta -, um lugar para almas demasiadamente humanas.   Confusão entre escrever e cartografia.   Veja que coisa idiota é a vida: a gente nasce e descreve uma trajetória.


   * Apesar de eu ser um semioticista.


Porque eu sou um semioticista, preciso me perguntar sobre a inovação depois de escassez de sobreposições por máquina de todas as estruturas de linguagens já conhecidas. 


Eu quero que a máquina: Inteligência Artificial, seja semelhante à prensa de Gutenberg e traga revelação e dê novo desafio intelectual à humanidade. Porque expõe a estrutura do idioma como forma de domínio de classe em repertórios vazios...


Toda robótica é uma continuidade daquilo que existe em nós humanos. Não pode ser um ser criado indesejável; não tem sentido. 


 - Teremos nossos primeiros bebês ciborgues? Que sejam bem-vindos!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026




Existem grandes discussões sobre obviedades. 
Mas, e, apesar disso, as demonstrações de inteligência como espécie são depois e na reavaliação das estratégias.

Existen grandes debates sobre hechos obvios. Pero, a pesar de ello, las demostraciones de inteligencia como especie llegan más tarde, en la reevaluación de las estrategias.

Usamos nuestra inteligencia para recrear nuestro mundo. Los humanos inventan.

Amamos a los animales, 
pero somos inteligencia viva.

La voluntad y la capacidad de invención hacen que nuestra especie sea diferente de todas las demás.

Humanos: criam e recriam significados e culturas, nenhum outro ser vivo faz isso.

To be human is to invent.
Ser humano es inventar.
Ser Humano é Inventar.