domingo, 18 de outubro de 2026

 

Eu vivo em uma encruzilhada, talvez uma das mais importantes encruzilhadas da minha cidade. Porém, só aos poucos comecei a suspeitar que a encruzilhada também vivia em mim. Devagar, notei que eu permaneço num lugar que é um eixo de caminhos contrários. Na encruzilhada o fluxo só é possível porque as pessoas, em sentidos opostos, desviam umas das outras - essa é máxima eficiência em uma encruzilhada: deviar corretamente. No entanto, para mim coube: ficar, sair e voltar, para ficar de novo, no ponto exato em que outros estão de passagem. Me dou ao luxo de pensar no dia em que serei surpreendido ou partirei definitivamente. Mas, até agora, só o tempo tem me ensinado existir nessa condição enquanto me faz companhia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário