quinta-feira, 23 de julho de 2015



Aguardando... então:

Toc Toc Toc

Toda porta guarda: esperado ou surpreendente.

Não se deite assim como quem se enterra,
a não ser que esteja se plantando e amanhã floresça.

Teus olhos acariciam minhas ideias desde que me leu pela primeira vez.
Então me diz: - Autor devasso, são quantos?
Respondo: - Sem ciúmes, percebe que sou só você através de mim por palavras a recontar ideias suas provocadas por mim?  Segredo nosso: se fizermos em voz baixa ou em silêncio te devolvo a ti sem contabilidade e em sigilo.

Preciso ir. Para onde só no gerúndio: estou indo enquanto invento.

segunda-feira, 20 de julho de 2015



Não tema. E um vazio impronunciado se sobrepõe a todo som.

Do inverso para cá tenho acreditado que só existe som e tudo que por incapacidade não escuto passei a chamar silêncio. Me ocorre que silêncio sou eu quando só eu me escuto.

Depois de cultivar silêncio por muitos anos alguém torna-se capaz de fazer música. Agora você precisa enxergar, por exemplo, o avesso do que fazem as teclas de um piano e então vai me entender.

Falar é algo controverso: porque enquanto me ocupo projetando sons vão crescendo silêncios confortáveis em mim. Quem sente falta de pensar quando pode ser ouvido? Aprenda outro idioma e ficará óbvia essa afirmação.

Não tema. Concluo-me inacabado.

terça-feira, 14 de julho de 2015

  

   Me surpreendo como alguém insignificante como eu possa ter sonhos tão grandiosos, de modo que: se por controvérsia a vida me fizesse mendicante, minha imaginação desde antes já me quisera soberano.


   Por favor, não me tome por verdadeiro. Vê estas duas verdades lado a lado feito pilares de um pórtico? Considera-me o vão, sou feito à passagem, sem importância celebrada, que nunca receberá nome.


                                    Imagem: Facebook, Zona Diversa MX.
  

domingo, 12 de julho de 2015

   

   Minha maior dor é a insuficiência de viver todas as estórias que imaginei, por isso me assento ao lado do agora confortavelmente, cruzo braços e pernas e digo:

   - Enfim você me pegou, eu que me achava difícil fui alcançado pelo imediato e minha imaginação virou horizonte nosso.





                 Imagem: Faerie Magazine.

   

sexta-feira, 10 de julho de 2015



Sobre borboletas azuis


   Não muito longe da minha casa existe uma mata, então sempre que vou ao centro da cidade passo próximo a ela e todas as vezes desfruto de sua beleza, que me suscita reflexões. Um pensamento recorrente é: até quando ela será respeitada, haja visto que já tivemos um prefeito que cogitou fazer dela um condomínio de luxo. Essa desconexão com a vida não é característica exclusiva dele, ainda são muitos que não percebem o óbvio: o que somos é um conjunto de interações de um organismo maior, ainda que seja possível distinguir entre outro e eu essa perspectiva é irreal, ilusória, por exemplo: digo o ar e eu, no entanto nunca existiu eu sem ar. Esses 'grandes seres em fluxo' costumam cumprir a função de facilitar as interações entre os imersos neles. Até esse ponto os homens primitivos conseguem acompanhar o raciocínio de existirem a partir de condições favoráveis a existência deles como organismos, o que os homens primitivos ainda não alcançaram é a 'economia' e 'não gratuidade' nas manifestações naturais, se essas duas inferências forem reais sobre o modo como se fez e se faz a natureza, então as interações nesse ecossistema são muito mais sutis do que as que nos parecem evidentes, como precisarmos de água para vivermos. Se a natureza faz-se por economia e não gratuidade e sendo ela um organismo - ecossistema - qualquer modificação por menor que seja irá repercutir em todo o organismo, assim como ocorre no corpo humano, um micro/ecossistema. Isso significa que mesmo a extinção de um tipo de inseto pode ocasionar grave desequilíbrio no ecossistema a longo prazo, porque a natureza - o sistema/eco - se fez por economia e sem gratuidade ao se expressar também como um tipo específico de inseto, além do que o distingue como espécie ele realiza algo que em cadeia serve ao conjunto sistema/eco.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

   Por gentileza, esqueça um pouco sua prepotência parcial como membro da espécie humana, que fez gradação elevando a maior importância as 'qualidades' que parecem maiores entre os seus, dentre todas as 'qualidades' existentes manifestas, e me diga, pensamento com palavra, usando 'qualidade' restrita a nós:

- Se esse ser não excede a todos os adjetivos que lhe possamos querer atribuir como definidores do que nos inspira vê-lo.

                  Magnífico !

 

   Pode ser libertador desejar o outro, porque se o limite está no ser, desde a origem o desejo é o espontâneo que ultrapassa esse limite. O outro é um convite para além de si mesmo como importante na 'estória' que escreve e se inscreve. O outro é o paraíso à medida que torna menor a atenção aniquiladora de si sobre si mesmo. E ainda mais: o outro que no sexo se agrada me deixando ser nele me eleva à grandiosidade do nós.


    Só em mim posso morrer, só em mim termino, tudo mais pode ser convite à eternidade.

                                   Imagem: Facebook, Zona Diversa MX;
                                   "Marca de agua" Mark Jenkins (2009).