sexta-feira, 27 de novembro de 2015
Eu que nunca me completo, seria justo que me dissesse dia?
Não.
Perdão se a enciclopédia de sua certezas me encontram noite.
Sofro do mal daquela parte não escrita, daquilo que ainda não tem significado.
Enfim, tenho mania de inventar: acabo-me sempre antes do início.
No máximo - se te couber ousadia - chama-me: impulso de cada instante. E então te aguardo sincero. Amorfo aos significados, esperando nos inventarmos juntos.
sábado, 21 de novembro de 2015
- Não, eu não estive, não fui e tão pouco irei...
E para além disso cansou-me fazer aquela série de opostos, levando-te subir e descer montanhas para que talvez transpire tua alma fria.
E se quiser saber o que sou: - Coisa nenhuma.
Porque toda vez que recebo um nome me sinto apertado...
E mesmo que por força da loucura dou um jeito de deixar logo de ser arrebentando a casca até tornar-me variável.
Quando era criança às vezes ouvia adultos dizerem: - Fulano ou fulana é impossível de lidar, é variável...
Azar o meu porque eu amava aquelas pessoas variáveis, quase sempre eram as que estavam certas sendo exauridas em discussões pela mediocridade moral.
Azar o meu porque eu amava aquelas pessoas variáveis, quase sempre eram as que estavam certas sendo exauridas em discussões pela mediocridade moral.
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
Essa beleza incansável que por entre formas salta e se põe completa desde o começo - sempre ao abismo chamando atenção de todos nossos vãos. Então diz silenciosa: - Dia qualquer te faço pleno depois de encontrar em mim o que a você faz falta. Sem ao menos ter ido por um só instante, nunca vem. Mas ao sabor dos que enxergam faz tempo, a imaginação pacifica com sonho. Porque a noite será sempre dos amantes, até mesmo dos solitários.
Imagem: foto do modelo Filipe Miller Navarro
Janela aberta sol invadia a sala iluminando a poltrona aposta ao sofá que sentávamos minha mãe e eu. Sem rito de gênero, nossa conversa valia mais que sexismo. Ela que estivera limpando a estante, deixou cair o livro marcado pela rosa seca. Depois disso veio aquele sofá sobre o qual falei e nós dois sentados opostos aos reflexos difusos de um sol intenso, enquanto ela me dizia do costume de sua mãe - minha avó - secar flores por entre páginas. Acho que na vida vim pelo inverso, então comecei pela neurose e faz pouco tempo que me dedico à perversão, digo isso porque precisei ser respondido em um tanto de perguntas até entender que era suficiente uma pequena flor ou folhas - guardadas por papéis dispensáveis - por entre as páginas de um livro pesado. Me segurei para não fazer daquele momento a secagem de um jardim inteiro, fui minimalista e me senti confidente pegando uma pequena rosa para guardar naquele livro.
Imagem: Arak Photography
sábado, 7 de novembro de 2015
Como o ápice da parábola todos os sentidos se concluem simultâneos. Malditos os que responsabilizam as sombras como por culpa, sem perceberem que as elevam à condição mais sublime.
Ah razão natural não te ofenda com tempo e os defensores de instantes, chega logo a conclusão histórica: eram seres óbvios - hediondos ou medíocres - devotos aos termos à chamarem a maior luz de sombra.
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