sábado, 10 de setembro de 2011


- Perdoe-me caríssima, mas tua beleza tamanha é resultado da minha pequinês, vida.

domingo, 24 de julho de 2011


Em memória de Amy Winehouse.

A única coisa boa na morte dessa grande artista foi acompanhar o "coro dos vendidos", convictos em mediocridade, revogando razão sobre temas que nunca pesquisaram. E mais interessante é saber que os mesmos que a condenam pelo uso de drogas, compram aspirina, tomam cafezinho, bebem álcool com os amigos, fumam tabaco, tomam fluoxetina ao sinal de qualquer tristeza, benzodiazepínicos pra dormirem melhor, anfetamina pra emagrecer e adoram admirar corpos esculpidos por anabolizantes e/ou esteróides anabólicos. Viva a sociedade sem drogas.

Moral da história... se há problema é na dose e no controle de qualidade das mesmas, drogas todos usamos.

domingo, 17 de julho de 2011

Novela

  


   A revolta sempre foi meu maior motivo de expressão e por isso tratar com delicadeza qualquer tema torna estéril meu processo criativo. No entanto, alguns têm a habilidade necessária à construção do romance, esses são capazes de reapresentarem o drama humano por suas óticas particulares e envolverem seus leitores de modo transformador.
   Em nosso país, a novela é de extrema importância, a maior ferramenta política que temos. Contudo, caso fosse necessário apresentar argumentos favoráveis a essa afirmação - nenhum outro meio de expressão/comunicação se equivale em eficiência à telenovela na difusão de idéias -, eu recomendaria a todos observarem a grade de programação dos canais abertos no Brasil, as pesquisas de audiência e os produtos audiovisuais veiculados; todos gostam de estórias e a dramaturgia audiovisual é a grande linguagem do século XXI. E em nosso país, até o momento, é uma das competências da telenovela contar estórias formadoras do senso comum.
   Estando o Direito sujeito à Cultura, o legislativo me parece uma ficção comparado ao parlamento que se forma por ocasião de uma novela bem sucedida. Em nosso país, fatos históricos de mobilização pública, têm suas origens em estórias contadas por novelas brasileiras.  No entanto, por arroubo de pretensa intelectualidade – intelectual por citação, coletor de safra alheia – a classe média, vitimada pela busca de status intelectual, pode evitar falar sobre novelas em muitas ocasiões atualmente, mas sem muito esforço, percebe-se que os temas de seus discursos político-sociais foram fomentados por novelas – me incluo e acrescento: por fonte direta ou indireta a telenovela fomenta os discursos no Brasil. Também têm estrutura parecida com a da dramaturgia as matérias jornalísticas de maior repercussão em nosso país.
    Todo esse meu discurso é dispensável, se eu não apelar aos nossos grandes autores de telenovela, para que cada vez mais proponham temas transformadores da sociedade brasileira; sem ser panfletária a novela pode colocar em discussão temas polêmicos, que nosso legislativo se abstém discutir por receio das urnas, por sectarismo ou por incompetência; se ataco o legislativo é porque dos três poderes é o que mais admiro no Estado democrático, e no momento o que mais me causa revolta.  

Exercício da liberdade – volume único.


  
   Ao meu lado um gato.
  
  
   O risco por ser é enorme, então eu me acomodo entre o como me querem e o que eu seria.
   Eu sigo normas e são pouca as me põem em contato com outro, a maioria delas limitam o que eu seria pro outro, caso elas não fossem normas. 
   Me assusto sempre que me perguntam se sou sincero, fico pensando como seria se fossemos.
  
 
   Hoje eu acordei, fui pra cozinha preparar o café e me preocupar com a vida.   A vida naquele momento em que acordo - e coloco açúcar automaticamente no café - corresponde às tarefas dia.  Geralmente eu acordo sem o desejo de ser miss ou mister - tudo bem desde de que me amem -,  só pelas nove da manhã começo a forçar o sorriso e quando erro na medida tenho impressão que me acham hipócrita e presunçoso.  Tive que aprender a medida certa de hipocrisia.   Mas superação é uma máxima da cultura, fico feliz por ter superado tudo que ainda me causa tanta dor e seguir meu dia.   Enquanto adoço o café repasso precariamente as tarefas: preparar o café além do café; recolher as fezes do cachorro; trocar a água para o cachorro; colocar ração para o cachorro; sobrando tempo me encarrego do gato, os gatos já se encarregam de si mesmos.   E só no meio do percurso me recordo de aguar as plantas.   Estranho, mas é no vai-e-vem do dia-a-dia que as plantas se fazem lembrar por mim; aquele estado vegetativo da beleza me convida a agir.   Acho as plantas muito orgulhosas, elas secam sem pedir nada.   Mas não se preocupe, eu aprendi direitinho outra máxima da cultura: amo as plantas, os animais, os insetos e todos os reinos, o que inclui você.   Como todos, quero ser amado.  Não se preocupe tirando o fato de eu ser humano, é fácil me amar, só preciso de água e dispenso qualquer alimento, desenvolvi anorexia pra ser famoso.  Desculpe, a infância passou e me esqueci daquele ditado: seja prostituto, ser artista não dá dinheiro.

  
   Comecei dizendo: “Ao meu lado um gato” ( op. Cit. ).
   Ele é preto, de pêlo macio e insiste em ser anarquista.  
   Se eu te contar você não acredita, ele insiste em ser autêntico por mais que eu tente domesticá-lo.




  
  
  

sexta-feira, 10 de junho de 2011


Talvez a dedicação à contemplação da mente possa proporcionar ao indivíduo insights que revelem algo sobre sua natureza mais primitiva.  E mesmo que a meu ver não seja o propósito, ou algo de grande relevância, talvez possa o indivíduo identificar os construtos de sua própria mente e relacioná-los ao habitat no qual se insere, assim criaria por experimentação sua percepção de uma cosmogonia particular.
Por experiência própria, quando digo Eu percebo o limite de minha consciência em considerar-me fruto de tudo que me antecede e é contemporâneo a mim.  A extensão do Eu é inestimável.

Um menino passeando plenos charcos encontra uma senhora e diz:
- O que está fazendo?
A senhora levanta e responde que está semeado arroz.
O menino insiste:
- Por quê?
Sorrindo a senhora diz que precisa comer e acrescenta que sua família sempre plantou arroz.
O menino fica intrigado com a escolha da senhora em plantar arroz, tendo tantas batatas selvagens disponíveis ao redor da lavoura e pergunta:
- E todas as batatas que naturalmente nascem aqui, o que faz com elas?
Já irritada a senhora repreende o menino dizendo que só tolos pensariam em se alimentar daquelas batatas, afinal ninguém se alimenta delas, só servem aos porcos presos e sem escolha do que comer.
O menino desculpa-se com a senhora por mudar o humor dela naquele momento e deseja uma boa colheita de arroz.

Og Esteves

segunda-feira, 6 de junho de 2011


  
Se ignorasse qualquer outro significado o som me mostraria o óbvio: esteja feliz, sereno e pacífico.   E sinceramente me importa muito mais o sentido do que o significado. Tenho uma coleção de significados em enormes dicionários na minha estante, e quando busco a palavra amor no dicionário ela nunca faz sentido, de imediato só me traz significado, o sentido percebo eu.  E outra, os melhores momentos da minha vida foram compartilhar sentidos sem nenhum significado, eis a mágica pra mim.

Og Esteves

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Carta a Peter Pan – das condições.



Sempre te esperei Peter Pan, mas desse lado só o Tic-Tac vence. Então, se decidisse vir agora teria que me esperar também. Preciso aguar as plantas, alimentar meu gato antes de sair de casa; nem pense em ir sem que eu possa me despedir dos meus pais, a idade deles avança e talvez nunca mais pudesse vê-los; tenho amigos espalhados por muitos cantos e conto com pó de fada para as viagens, não ouse recusar isto a um cidadão do terceiro mundo; alguns amigos estão mortos e sinto saudades, mas esta é a parte em que ressinto por não ter feito nada por mim ou por eles antes que acontecesse; pra não me alongar mais, lembro que precisa marcar com antecedência meu resgate, o tempo passou e agora só a mesa de cirurgia plástica pode evitar que os garotos perdidos me excluam do grupo.

Grato.

Og Esteves.