Cheguei sem pressa, distraído pelas sombras, ele tocou minha mão e eu enxerguei já da outra margem: tudo que eu não mais viveria; depois - delicadamente - o tempo me ofereceu o ombro pra eu recostar minha cabeça antes de eu dormir.
Incrédulo, estático em mim, só posso fluir em outros corpos. Os olhos que me acendem o mundo não são os meus - meus olhos só podem ver. Respiro tudo que parece ausência e o ar faz companhia aos meus pulmões e a atmosfera visita meu sangue. A Terra gira firme, meus pés vacilam e eu preciso dançar em cada vértebra e articulação pra não cair. Em alta voz, ensaio canções de ninar para que eu possa dormir acordado. Restei no mundo sonhando.
- Você está aqui faz muito tempo?
- Depende. Exatamente onde e desde quando?
- Aqui! Não me enrole.
- Eu moro aqui do outro lado, mas já estive nesse lugar em que você está faz pouco tempo.
( RISOS )
- Ah, me desculpe. Faz sentido.
Talvez nada do que eu diga faça de fato diferença, mas porque permaneço em dúvida é que continuo dizendo. Então, sem te conhecer Heath Ledger (1979-2008) e sem também me conhecer de verdade ou a qualquer um outro, porque eu sei que só avisto as pessoas enquanto me vejo percebendo. Mas, apesar disso, eu tentaria dizer a você se tivéssemos tempo, aqui está um labirinto de espelhos no qual nos perdemos de propósito - o mais incrível labirinto de espelhos em um jardim secreto -, dito isso, aviso: procurar a saída merece muito cuidado sempre, porque somos em parte e ombro a ombro o próprio labirinto. Mais ainda e para além da primeira metáfora: como sair da estória sendo a própria ou por quê?
- meu breve comentário.
Por favor, eu não sou original. Na verdade, a consciência talvez também não seja: nem exatamente original e nem localizável; mas nesse sentido, a transcendência seria meramente material; de certo modo. O cérebro é uma parte manifesta da consciência que também está imediatamente vinculada aos demais fatores contextuais. Dessa maneira, a consciência é um fenômeno contextual que se presentifica a partir de um conjunto de idiossincrasias que cada ser em particular tem como recurso de ação. Outra questão anatômica interessante é considerar a expressão: sistema nervoso central; assim, se você diz existir um centro é porque reconhece a existência de extremidades.
Se a consciência fosse algo em si e existente independentemente de contexto, por exemplo: como seria possível existirem bares e psiquiatras ou envenenamentos ou técnicas de indução? Como ir a um show, ouvir música ou fazer terapia provocariam efeito? Agora, se a consciência for definida como a mera distinção entre: eu e outro, a questão é ampliar o entendimento sobre esse eu para diluir o eu hipotético absoluto e percebê-lo também relacional. Vejamos, até então sabemos que mesmo as menores partes desse eu que o servem de matéria-prima à sua constituição material não foram originadas nesse eu que se constitui, mas servem a esse eu como empréstimo vindo do meio ambiente; de modo semelhante: a memória, a linguagem, a lógica, etc.
A consciência e mesmo o suporte material à consciência estão vinculados ao contexto. Nossos aspectos mais distintos têm origem, por exemplo, na impossibilidade de gestão de todos os fatores compositivos, enquanto nossas similaridades são os resultados de fatores maiores e mais recorrentes de incidência.
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Inspirado por:
https://youtu.be/NH95XfWjSOw?si=uxBR3u_kficMypB2
Um grupo de idiotas
que só subsistem
nos entreatos,
de tempos em tempos,
escolhem alguém:
- Pra fazer de pato!
Canalhas sim, e esclarecidos!
De mau-caratismo,
sempre bem guarnecidos.
Um grupo de idiotas
que só subsistem
nos entreatos,
de tempos em tempos,
escolhem alguém:
- Pra fazer de pato!
Canalhas sim, e esclarecidos!
Pra distrair suas vítimas:
sussurram aos ouvidos.
Um grupo de idiotas
que só subsistem
nos entreatos,
de tempos em tempos,
escolhem alguém:
- Pra fazer de pato!
Canalhas sim, e esclarecidos!
Só riem do outro,
mas se querem queridos.
Um grupo de idiotas
que só subsistem
nos entreatos,
de tempos em tempos,
escolhem alguém:
- Pra fazer de pato!
Canalhas sim, e esclarecidos!
Por conversas dispersas inventam:
seus confundidos.
Um grupo de idiotas
que só subsistem
nos entreatos,
de tempos em tempos,
escolhem alguém:
- Pra fazer de pato!
Canalhas sim, e esclarecidos!
Subjugam a razão:
pra elevar seus queridos.
Um grupo de idiotas
que só subsistem
nos entreatos,
de tempos em tempos,
escolhem alguém:
- Pra fazer de pato!
Canalhas sim, e esclarecidos!
Pra ganharem escravos, os fazem antes:
desvalidos.
Um grupo de idiotas
que só subsistem
nos entreatos,
de tempos em tempos,
escolhem alguém:
- Pra fazer de pato!
Canalhas sim, e esclarecidos!
Porque vivem na traição:
só conhecem fingindos.
Um grupo de idiotas
que só subsistem
nos entreatos,
de tempos em tempos,
escolhem alguém:
- Pra fazer de pato!
Canalhas sim, e esclarecidos!
À procura de cédulas
se acham escondidos. (?)