quinta-feira, 25 de maio de 2017
Via Láctea... mamíferos!
Apesar de tanto brilho amanhã o sol me faz nascer.
Naquela cortina que as roldanas ainda agarram só existo dormindo.
Ainda que lá se repitam tantos encontros aqui está o contraditório: acordado entre nós e às vezes desperto.
Sobre o beijo e toda intimidade talvez queremos guardar segredo, por isso nos impomos tanto sacrifício por amarmos.
Amor se paga com vida, mas alguns com a vida inteira de uma só vez.
terça-feira, 23 de maio de 2017
Apesar dos pensamentos o outono é caprichoso ao soprar as folhas de uma árvore e planta a alma no agora.
Você sorriu se escondendo enquanto atravessei a rua. Presto reverência à sua timidez como reverencio o deus ou deusa que emerge da tua alegria para os que te veem mais do que ao passar.
Eu não sei o nome da alma da Terra e sem nunca precisar chamar ela sempre esteve presente.
A eternidade não foi ao parto e por isso o que nasceu terá que terminar enquanto avista sua parcela eterna: condição sempre presente e mutante.
Até no bolo que eu fiz eu dormi em parte para sonhar além de mim, por fim se me quero eterno é por algo mais do que só eu.
Meu aniversário sempre foi festa para receber outros mais importantes que a solidão.
Ame!
domingo, 21 de maio de 2017
Quando olhar pela janela
amanheça ou torna-se noite
de maneira que um deus
queira morar em seu peito.
Lá é um em si longe só em parte dos sentidos, mas que em pensamento também é chuva rasa sobre lago intermitente. Porque não se conclui é.
Das camadas da atmosfera qual compreende o som? E se involuntariamente também sou o que escuto, tenho sido até involuntariamente muita coisa.
Ah, Terra... a cada raíz que percebo chamo de sentido, entre cinco escolhemos nos definir humanos, e às vezes desconfio que ser eu é só a convergência de uma vontade prévia do em torno.
Lágrimas, audácia e compaixão nos ombros delas descansam a vitória.
É sobre o tempo que se apóia o veículo e envelhecer te faz lembrar disso, mas ser é outra coisa adaptável.
Por isso o quanto antes:
Quando olhar pela janela
amanheça ou torna-se noite
de maneira que um deus
queira morar em teu peito.
Imagem: Zona Diversa MX
terça-feira, 16 de maio de 2017
É costume das poças olharem para olhos sozinhos.
Vez ou outra dói minha capacidade de lembrar e então minhas memórias dormem na minha respiração. Saudades é um estar cansado sem nenhum esforço, eu respiro diferente enquanto lembro.
Não é sobre voltar em um tempo, eu sinto muito a medida que já vivo cada vez menos qualquer ingenuidade.
Se teu peito fez cadência então existe um ontem que o justifica. E no mais, na proporção que envelheço perdôo mais o passado, envelhecer é um sentido de perdoar a si mesmo.
Pessoas velhas morrem sem culpa nenhuma, porque o que fizeram terá sido viver e ainda assim no último instante de viver tiveram sede.
Imagem: C i r c l e 管理者
segunda-feira, 8 de maio de 2017
Me conforta em pensar que amor é talvez um bonsai feito de tempo e sentir.
E as mãos fechadas em cinco dedos como são cinco os sentidos esmurram um vazio. E eu não caibo no côncavo e nem sou bastante ao espaço aberto.
A verdade é um filme que imaginamos em particular tomado por empréstimo de todos os filmes que assistimos; mas só acontece para nós.
Eu não estou sozinho de ninguém e ninguém está sozinho de mim... a solidão é sentida porque somos deixados por nossos sonhos.
A solidão é sempre um desejo que convidamos e que chegou atrasado ou não veio à festa que somos nós.
Sou verde para amanhã.
Sou maduro para ontem.
Mas é hoje que não se completa sobre mim, então no meu mais imediato sou incapaz de acertar sobre quem sou e essa desmedida tem horizonte de pássaros e inscrição em lápide simultaneamente.
Sou verde para amanhã.
Sou maduro para ontem.
Mas é hoje que não se completa sobre mim, então no meu mais imediato sou incapaz de acertar sobre quem sou e essa desmedida tem horizonte de pássaros e inscrição em lápide simultaneamente.
sábado, 6 de maio de 2017
A cada folha que pousa o outono se acumula um tom avermelhado e elas saltam para o chão.
Os dias não passam em silêncio, porque como pássaro descansando em galho, o tempo pousa nos sentidos e então sobra só o que sentir.
À beira é onde se coloca os corações e os amores até quando acontecem é porque existem por acontecer. Nunca ontem, hoje de soslaio com amanhã e assim namora a vida.
Imagem: Vito Basso
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