quinta-feira, 2 de março de 2017
Se a princípio parece eu, depois de novo olhar logo vejo outra causa.
Porque só me inauguro quando sei que você vem onde eu faço festa.
É tua textura,
É te sentir na língua,
É teu cheiro apesar dele,
É teu rumor enquanto se mostra,
É te ver e buscar a melhor postura.
A partir de agora eu serei enquanto considero outro, então ser é ainda que na vaidade um desejo em busca de alguém para além de si mesmo.
Para além de si estão estórias, enquanto que em si mesmo naufragou o tempo e junto da âncora dorme o silêncio.
Cada pergunta é uma busca da inaugurar - se ao outro ou inaugurar outro, porque ser em si é um silêncio à deriva.
Imagem: Zona Diversa MX
Definir é traçar uma fronteira inexistente ao imediato da experiência de sentir algo, fronteira que é necessária aos limites da escrita em descrever o que foi sentido, percebido.
E talvez minha esperança seja que o século XXII devolva à razão e ao bom senso uma suspeita sobre a ciência como dogma da verdade... a ciência não é sobre a verdade, a ciência no máximo é sobre os modos metódicos de agir... então quando há dúvida na ciência não deveríamos nos referirmos às possibilidades como religiosos, mas aceitarmos a dúvida e desconhecimento de um método que seja útil à ação.
Sem demonstrar concordância com este caso específico lembro das críticas de Tesla à Relatividade de Einstein... Tesla se incomodou ao ver a ciência dispensar provas laboratóriais e caminhar em direção à retórica, à verdade a partir de um discurso simétrico, elegante e convicente... Tesla viu nesse caminho uma degeneração da essência daquilo que considerava ciência e que talvez para ele estivesse ligado à prova laboratorial e à utilidade no agir.
quarta-feira, 1 de março de 2017
Sem saber que era árvore vi amarelar até cair se perguntarem o que eram cada folha...
Sem saber que era árvore cada fino galho sentia - se sozinho arrestado pelo vento...
Sem saber que era árvore o tronco desconcertado pelo tempo se achava feio...
Sem saber que era árvore a raíz mal entendia a razão de não ser vista...
As reticências alcançariam em crescente ou descrecente todo o em torno, porque a vida nunca foi uma causa singular... a vida é sempre uma ocorrência no plural entre todos os viventes.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017
Às vezes eu penso que viver é como que dever ao tempo uma 'estória'. E então ser é qualquer coisa que apesar disso nos pareça escolha.
Sobro-me às margens dos meus sonhos e de outros. Faz tempo que venho colorindo de modo que ultrapasse as linhas. Nada de originalidade, foi que perdi a coordenação das mãos e deixei de acertar vontades de outros ou minhas, tenho sido acidental. Então me calo por respeito à duvida que também é alheia.
O verdadeiro perdão é uma condição surgida de se perceber igualmente terminal e sem causa inerente. Viver é um acontecimento como que acidental aos olhos dos viventes. No entanto pulso de vida buscando significado enquanto houver quem sinta.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
Perguntas que me faço...
Por que só prevalece sobre outras versões divinas um deus pacífico entre os povos que já não dependem de vitórias em uma guerra?
Por que só há julgamento moral, filosófico e escatológico sobre suicídio e eutanásia entre povos que praticaram a escravidão?
Não pensem que com isso eu abandono a possibilidade de uma metafísica, mas eu incluo qualquer metafísica aos interesses da consciência coletiva. Então, a 'mágica' não é pré-existente ao 'mágico' ou 'à cartola' ou 'à necessidade real' da platéia. A 'mágica' deixa o lugar de uma outra condição extra para ter o lugar contemporâneo na experiência de existirmos; observe: ainda assim terá efeito real e nos parecerá 'mágica'.
É curioso que 'a mente' que instaura o 'estatuto da verdade' a partir das suas impressões em estruturas lógicas, não se perceba como uma parte da verdade manifesta. Algo semelhante a dizer que o melhor da ciência em cada tempo são frações de segundos descritas por alguém ininterruptamente em frente ao espelho, mas que ainda não percebeu os detalhes no descrever ou na condição continua de quem percebe como interferentes no que descreve como verdade. Conforto, a ciência nunca foi sobre a verdade, a ciência diz respeito ao utilitarismo, ao potencial que temos sobre agir; nunca confunda as pessoas.
Sobre 'a mágica', 'o mágico', 'a cartola' e 'o coelho', sobre qualquer realidade mensurável ou vivencial tem que caber a mente como parte real da existência e não só as medidas que a mente é capaz de realizar a partir de seus órgãos dos sentidos.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017
Sobre alguma beleza em nascer em uma cidade rural... tínhamos mulheres dedicadas às mulheres gestantes, então assim que a criança nascia uma senhora mais velha e experiente tratava de 'curar o umbigo' do nenem... precisava ficar perfeito e sem nenhum excesso, depois de solto o resto de cordão umbilical virava relíquia familiar e um conjunto de moedas, coladas sobrepostas, assegurava que o umbigo se desenvolvesse como baixo relevo, era o senso estético daquelas velhas senhoras por muitos séculos... então a relíquia, a sobra de cordão umbilical, poderia ter dois destinos nobres: ser guardada por gerações ou a mãe deveria plantar embaixo de uma roseira. O grande risco era deixar a sobra de 'umbigo curado' à merce de um rato ou outro bicho que pudesse capturar e comer... e assim as mulheres desenhavam os destinos dos seus descentes em seus imaginários... se capturado e comido o destino seria pouco venturoso - por exemplo, se o umbigo fosse comido por um rato a criança seria um ladrão -, mas as roseiras eram sempre esperança de gente plantada e a vida futura florindo.
Minha mãe não me plantou, me vi algumas vezes ao longo da vida naquela parte inicial - meu resto de cordão umbilical - estou perdido e às vezes se me procurar me encontro, por fim ganhei uma condição de constante mistério original e transitoriedade.
Por qualquer razão me lembrei de mim agora.
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