domingo, 17 de agosto de 2014

Ser é menor que antes

Sobre as coisas que me calo fundamento minha liberdade, sou e possuo.

Vê toda essa ausência ao redor do que é?

Há sempre mais papel que palavra.

Há sempre mais terra que cerâmica.

É o pequeno furo que lembra a razão pela qual existe o pano.

Nada,
sento-me em frente a um oceano insignificante e, sendo, chamo-me aquele que dá nome as coisas, então faço desse oceano gotas.

Sobre as coisas que me calo fundamento minha liberdade, sou e possuo.

Tendo falado torna-se nosso.

sábado, 16 de agosto de 2014

   Tristeza, saudade, angústia, medo, tudo isso dói, mas o que machuca mesmo é aquela coisa que nasce sem nome e fica existindo sem ter como ser chamada, porque ela permanece como dor e mistério.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Minha vida é sua própria causa e sem nenhuma importância além disso

   De volta a minha alienação niilista e como em "O Guia dos Mochileiros das Galáxias": - obrigado pelos peixes. Afinal preferível viver no vazio, aceitar o vazio como ponto de retorno após cada sonho bom e fazer dele porto-seguro, quem aceita o vazio como preenchimento já está completo. Pra mim que cheguei a essa conclusão faz tempo, no máximo consigo pegar carona na esperança alheia, obrigado, mas no fundo eu sempre sei para onde vou voltar.
   Acredito que outros encontrem outras formas de contarem suas próprias histórias e estórias, as minhas parecem que tem como lugar de escrita aquelas "lousas mágicas" da infância, eu me escrevo, me dedico, me acredito, depois por um erro meu ou levado inconsciente pelas circunstâncias volto ao vazio, para contar novas histórias e estórias que de início é possível imaginar a conclusão, minha vida é um fim iminente para qual vivo inventando começos.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Às vezes os pensamentos seguem um curso contrário ao aparente e a medida em que se pensa quanto mais se esvazia, então resta um brilho, um como que reflexo de prata polida em dia ensolarado, ofusca mas me faz enxergar como poucas vezes, de repente me resta gratidão e um aceno da saudade.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O que me constitui caminha espontaneamente para um fim enquanto o que eu sou tenta ter finalidade.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Um grito

   Desconheço medidas, vim nos fazendo em excessos. E o peso leve das tantas ausências às vezes me desequilibra, quando me querem ainda menos do que posso ser, então meus olhos atestam que ser nada é maioria, me faço espaço, sou vago e por contradição peso. Cambaleio, e mais que pelo som, cambaleio por insistência em caminhar em nome dos malditos. Trago em mim a esperança da espécie que por coragem, insistência e impulso conquistou o primeiro passo sobre duas pernas, sou meu maior risco.
   Em último caso tenho esperança no mormaço secando todas as roupas nos varais, inventando chuva de gente misturada por todos os cantos.