sexta-feira, 25 de julho de 2014

Um grito

   Desconheço medidas, vim nos fazendo em excessos. E o peso leve das tantas ausências às vezes me desequilibra, quando me querem ainda menos do que posso ser, então meus olhos atestam que ser nada é maioria, me faço espaço, sou vago e por contradição peso. Cambaleio, e mais que pelo som, cambaleio por insistência em caminhar em nome dos malditos. Trago em mim a esperança da espécie que por coragem, insistência e impulso conquistou o primeiro passo sobre duas pernas, sou meu maior risco.
   Em último caso tenho esperança no mormaço secando todas as roupas nos varais, inventando chuva de gente misturada por todos os cantos.  

sábado, 21 de junho de 2014

Barulhos

Escrevo pra fazer silêncio em mim e em você, mas pra isso funcionar preciso escrever sobre barulhos, porque esses barulhos de dentro são caprichosos e só prestam atenção no que se parece com eles.   Eu não os culpo, eles nascem sozinhos como um amontoado de silêncios lá dentro, vivem muito tempo abafados, então viram barulhos pra se fazerem notar.   Natural que se admirem ao conhecerem outros iguais e são nesses momentos que às vezes se consegue silêncio, enquanto se cumprimentam.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Se sua ação dispensa justificativa quando examinada por sua consciência, você está fazendo algo correto.   Caso contrário, você está buscando uma forma elegante de enganar você e os outros.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Quantas voltas dá a chave da conquista antes de abrir a porta dos mistérios?
Aberta, se acender a luz verá o eco cuidar do vazio e o espelho do reflexo.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Bilhete de um amante gay

   Desde quando nos conhecemos poucas vezes estivemos longe um do outro, talvez você sinta diferente, mas os dias sem você foram menos felizes.   Estar ao lado de quem amo, oferecer e receber carinho é o que me faz mais feliz.  Já quis ser diferente, de certo modo tive algum sucesso sendo alheio ao amor, sendo indiferente e satisfeito em saber que amor a dois é um fracasso momentâneo da razão, mas que outro motivo pouco maniqueísta posso ter sendo gay além da crença no amor.   Este algum romantismo é o que me faz diferente da vida instintiva dos bichos e da selvageria da luta de egos da vida social, então se o amar é minha culpa, minha tormenta, sem exclusão, amar também será sempre meu maior álibi.   Te amo, e de certo modo você é minha maior absolvição.

Ass.: Mr. Sorry.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Imagem tirada do Facebook, in St0rmtroop3r
 
 
Pássaros migrarem tem sentido e a vida humana não, mas é pela falta de sentido que mais praticamos a liberdade.
 
 

 
 
 


domingo, 9 de março de 2014

    Na falta de significados encontro a invenção de sentidos.
   Fora a paisagem muda e eu me conto tentando não me repetir mais do que o necessário para responder ao quem sou do espelho em reconhecimento.   Esta pergunta sem resposta, que me inaugura toda vez, requer o desejo mínimo de responde-la para invenção do depois.   E eu tenho sido um depois que deseja inventando os dias.   Mas também conheço a beleza do espelho que desapegado de aparências se descobriu muitos, que parado fez todos os movimentos e usou todas as máscaras.
    Se ausência faz lembrança, a falta faz invenção.   Hoje desenho dias ao meu gosto com as cores que mais me agradam.   Agora, a importância nos seus olhos encontra razões nas palavras que escrevo - nos achamos parecidos porque completamos ao nosso gosto esses desentendimentos em segredo.   E no silêncio úmido da sua boca, da pressão insinuada entre as curvas dos seus lábios, dentes e língua nascem os melhores excessos, os que dispensam significados de tão cheios de sentido.