domingo, 7 de outubro de 2012

Uma caixinha de música me contou ao pé do ouvido um segredo, disse irriquieta:

- Sabe moço, dizem que sou pulsar de tons entre um silêncio e outro. Mas eu, penso que o silêncio é que me permite ser com ele. Por isto, quando eu já não for, de certo modo, só terei mergulhado numa parte de mim. Assim, também pra ti, ser inteiro é ilusão e ser em parte é condição infalível.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Parece beleza: surpreender-me em harmonia analógica.

Nada resta.

Nada Falta.

E as surpresas convergem-se ao agora, o fazendo maior. 

Sem lógica, porém eu satisfeito, vi palavra involuntária ser corpo de um sentido indefinível. Só por gosto da experiência ou por gozo de virar memória?

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Tenho sempre um baú de conclusões ao pé da cama, alguns problemas ressurgem ao sabor das tendências, mas guardo espaço pra minha lógica de palhaço e, assim que avisto a lona, me lembro de variar fantasias.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Tenho um sentimento avulso procurando palavra que lhe sirva de caixinha. O danado toda hora muda e parece que por gosto de confundir.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Será que o sentido em mim é sem jeito?

Guardado, impreciso e feito gaiola o meu coração.

De longe à janela, cabeceira, o leito;
num quarto à tardinha dorme a razão.

Nasci numa quinta-feira, meu destino é esperar o fim de semana.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Surgem: Memória e Símbolos.  Nascem às linguagens.

Entre o eu que observa, na língua que me explico; chamei o vão de vazio. A este vazio coube às linguagens preencher.

Na ausência de uma razão que me justifique, me apego aos sentidos.  Pobre João Cabral de Mello Neto, incapaz de perceber que o abstrato é mais sentido que o concreto - refém de palavras e objetos.

Volto ao vão.  Entre o eu e o modo como em língua me projeto. E só sobra língua sendo em abstrato concreto, o que me deixa preencher o vazio de todo objeto. Me satisfaço em extensão,  entro sem deixar de ser eu,  abrigado pelo outro.  De novo ela - a língua - traduz o que sinto em palavras. Covarde, inventou a saudade escrita em português.